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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

VIRTUAL


Janeiro/2005

 "o virtual usa novos espaços e novas velocidades,
sempre problematizando e reinventando o mundo"
Pierre Lévy

Afinal, o que é virtual?
Aurélio em seu dicionário vai dizer que a palavra virtual vem do latim escolásticovirtuale[2] e vai definir como sendo aquilo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual, aquilo que é suscetível a se realizar; potencial. Filosoficamente diz-se do que está predeterminado e contém todas as condições essenciais à sua realização. 
Virtual, na filosofia escolástica, seria aquilo que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente na semente. Portanto, o virtual não se opõe ao real mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.
 ”Desta forma, no virtual os limites de espaço e tempo não são mais dados e há um compartilhamento de tudo, tornando difícil distinguir o que é público do que é privado, o que próprio do que é comum, o que subjetivo do que é objetivo. Em outras palavras, no processo de virtualização - seja aplicado ao corpo, texto ou à economia - os lugares e tempos se misturam; as fronteiras nítidas dão lugar a uma fractalização das instituições e explode uma nova possibilidade de percepção do mundo, projeções, reviravoltas culturais, hipercorpo, intensificações com altíssimo impacto sobre a aventura da autocriação, enfim resplandecência do ser humano”. (LIMA, 2004)
Segundo LIMA (2004) Pierre Lévy em 1995 define as características da virtualidade dentro das novas concepções de tempo e de espaço: o desprendimento do aqui e agora, e da desterritorialização, contudo ele nos lembra que esse conceito foi extraído da filosófica clássica grega, sendo seu mentor Aristóteles em seu conceito de movimento e virtual[3], no século VI a.C., com acréscimos significantes de Levy.
Quando falamos em virtual logo nos vem à mente a imagem da Internet que se constitui em um computador com placa de modem, uma linha telefônica, um navegador e um provedor de acesso. Nem nos lembramos que o precursor do computador foi o ábaco. E que em 1450 Johann Gutenberg inventou a imprensa que significa hoje para nós as impressoras que temos em nossas casas. Assistimos dessa forma a transformação da cultura humana, hoje em alta velocidade, com máquinas com gigamemórias, navegando em banda larga. São milhões de computadores ligados em rede, com outros tantos milhões de internautas, em um espaço virtual, eliminando as distâncias e apagando as fronteiras entre a realidade e a simulação, como se assistíssemos o acontecimento, a essa nova dimensão do espaço o geógrafo brasileiro Milton SANTOS[4], segundo LIMA (2004) vai chamar de 5ª dimensão, que é a profundidade do acontecer. E a máquina passa a ser um substituto da inteligência, que também emite informações e com a qual o homem pode dialogar, como diria LOJKINE[5] (1995), segundo LIMA (2004).
Para ALBUQUERQUE (2004), graças às técnicas de comunicação e telepresença estamos aqui e lá ao mesmo tempo. Com aparelhos de visualização os médicos podem percorrer o interior do organismo. E ainda temos os enxertos, as próteses, as cirurgias plásticas, a alteração do metabolismo pelas drogas, regulando emoções ou controlando a reprodução. Para a autora tudo isso são aspectos de virtualização do corpo. Como diria Macluhan, segundo a autora: o automóvel é uma extensão das pernas, o computador uma extensão do cérebro, o binóculo uma extensão dos olhos.
 
Para SILVEIRA (2001) a conexão entre o real e o virtual produz novas formas de comunicação através de interações, que implica em nova forma de fazer política por meio do jornalismo, das relações públicas e marketing. QUÉAU[6] (1995), segundo a autora, vai dizer que o poder das técnicas de digitalização e de simulação vai permitir às escrituras virtuais desempenhar o papel de argamassa social, promovendo a união e a coesão. Para ele as tecnologias da virtualidade poderão facilitar a comunicação entre os homens. Um exemplo são os fóruns virtuais, com linguagem multimídia, que tornam possíveis amplos debates de idéias, transpondo os limites de espaço e de tempo, permitindo uma maior inteligibilidade do mundo, nessa nova esfera pública: são chats, grupos de discussão, mensagem instantânea, painéis de anúncios, serviços comerciais eletrônicos, publicações eletrônicas, bases de dados, etc.

 HANDY (2004) enfoca a virtualidade nas empresas onde se gerencia pessoas que você não pode ver nem controlar em todos os aspectos. E a tendência hoje é das organizações serem dispersas. As pessoas trabalham em diferentes escritórios e locais, possuem hábitos distintos e não são exclusivos de uma empresa. Nem todos precisam estar no mesmo lugar ao mesmo tempo para que o trabalho seja realizado. Assim temos os fornecedores, contratados, temporários, autônomos. VIANA (2004)  afirma que a Nike, maior indústria de tênis do mundo, não tem fábrica; e que a livraria Amazon, considerada a livraria de maior crescimento no mundo, não tem um metro quadrado de lojas. E ainda que a filial americana da Nokia fatura 200 milhões de dólares com apenas cinco empregados. O virtual abole a delimitação do território geográfico, expandindo suas possibilidades. O centro das atividades não fica restrito a um conjunto de salas e a um tempo inflexível. O tempo e o espaço adaptam-se ao ritmo de cada um, diluídos numa ampla rede de informação e comunicação, possibilitando um incremento qualitativo.
Lévy[7] (1996), segundo PAIS (2004), vai destacar quatro pólos do conhecimento: o virtual, o atual, o possível e o real. E para Lévy para se compreender o virtual é preciso fazer a distinção entre esses quatro pólos do conhecimento: o virtual, o atual, o possível e o real.
Assim o real está relacionado com a materialidade, pertence à ordem imediata das substâncias, das propriedades físicas e das determinações. Esses objetos reais têm seus limites claramente definidos e perceptíveis aos nossos sentidos. Opossível é quando um objeto tem sua existência apenas idealizada no plano abstrato de um projeto ainda não executado. Ele existe no plano das idéias, restando apenas a sua existência material, para se tornar real. O virtual não é o oposto da realidade, apenas possui uma realidade que lhe é própria, sua natureza vai distanciar-se do atual pelo fato de envolver o abandono do território imediato. O virtual está próximo do possível, contudo não é da mesma natureza do possível, pois já tem implícito a resolução do problema, faltando apenas a realização. A noção de virtualidade está fortemente associada à criatividade. Esses quatro pólos do conhecimento: possibilidade, realidade, virtualidade e atualidade estão fortemente correlacionados. Os diversos movimentos envolvidos na passagem de um para outro desses pólos caracterizam diferentes situações da aprendizagem de um novo conhecimento.
Deleuze[8] (1996), segundo PAIS (2204), afirma que toda atualidade rodeia-se de uma névoa de imagens virtuais. Daí a importância de não se isolar os acontecimentos da atualidade como se eles não tivessem um passado, como se tivessem surgido do nada. O virtual e o atual estão essencialmente imbricados um ao outro, eles coexistem. É dessa forma que fazemos conexões de conceitos já formados para a formação de um novo conceito, que significa a expansão do conhecimento, que é o rizoma conceitual de Deleuze: o encadeamento de noções que cada vez se subdivide em novos espaços.
“O virtual sempre qualifica um conhecimento que está predeterminado a acontecer mas que permanece num estado de latência. Ele traz em sua essência um conjunto de condições suficientes para processar-se através de uma realização. O desafio maior é a passagem desse estado de latência para um acontecimento no plano da atualidade. De maneira geral, podemos dizer que o virtual está sempre disponível a se atualizar, pois traz em sua essência as condições suficientes para isso. Entretanto, é uma disponibilidade desafiadora. Ele tem todo o potencial necessário para viabilizar a passagem para o atual. O desafio maior para isso acontecer é justamente a criatividade dos sujeitos envolvidos na sua dinâmica. Esta é a direção sinalizada para uma nova educação contemporizada pelos desafios da era tecnológica da informática. (PAIS, 2004)
 “O virtual é algo que existe em estado de latência e de potencialidade e não como um acontecimento da atualidade. O virtual, no contexto geral do uso dos recursos tecnológicos da informática, evidencia a existência de um sistema mais caracterizado por suas potencialidades, do que como uma fonte de soluções prontas e acabadas. Está mais próximo de uma proposta desafiadora do que de uma fonte de soluções para os problemas particulares. A dinâmica virtual coloca em destaque um certo poder de fecundidade para possibilitar novas oportunidades de criação diante de situações cujas soluções são resistentes às condições do momento considerado. Por essa razão, acreditar nessa tendência é procurar inventar, descobrir ou fabricar melhores estratégias de ações diante das exigências do mundo digitalizado, principalmente, no que se refere ao conhecimento e suas implicações nas mais diversas áreas da ciência contemporânea”. (PAIS, 2004)
O virtual assemelha-se a uma fonte que jorra sem parar e em seu potencial traz a qualidade de sempre poder tornar-se atual, com uma vitalidade própria, sempre jovem.

 Referência Bibliográfica

ALBUQUERQUE, Helena C. A Virtualização do Corpo. Cap. 2.
Acessado em 1º/12/2004.
CAMARGO[9], Denise. Não-sexo e desejo de virtualidade em Mapplethorpe[10]. FotoPlus - Paginas Negras 010.
Acessado em 1º/12/2004.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa.2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 1782.
HANDY, Charles. A nova linguagem da Administração e as suas implicações para os Líderes.
Acessado em 1º/12/2004.
LIMA[11], Samuel. As Novas Tecnologias da Informação e o Conceito de Virtual: de Aristóteles à Pierre Lévy. NECOM - Núcleo de Estudos em Comunicação - Instituto Bom Jesus/IELUSC.
Acessado em 1º/12/2004
NUNES[12], Fábio Oliveira. O ciberespaço e a virtualidade. Universia Brasil.
Acessado em 1º/12/2004
PAIS[13], Luiz Carlos. Noção de virtualidade e o encanto desvairado da tecnologia na educação escolar. Revista Eletrônica da UNESC - Ano 2 - Nº 3 - Maio/2004 - ISSN 1678-9652.
Acessado em 1º/12/2004
RIBEIRO[14], José Carlos S. O corpo na era da sociedade informacional. Artigos :: Ciberpesquisa - Centro de Estudos e Pesquisa em Cibercultura.
Acessado em 1º/12/2004.
SILVEIRA[15], Ada Cristina Machado. Fóruns, política e virtualidade no horizonte da comunicação. PCLA. Volume 3 - número 1: outubro / novembro / dezembro 2001
<http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista9/artigos%209-3.htm>
Acessado em 1º/12/2004.
VIANNA, Marco Aurélio Ferreira. Capital intelectual, um futuro que já chegou. <http://www.guiarh.com.br/PAGINA21B.htm>
Acessado em 18 de janeiro de 2004


 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1° e 2° grau e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2° grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO-MEC - NTE-MG2
[2] Palavra derivada da palavra virtus que significa força, potência.
[3]  "os conceitos reproduzem não as formas ou idéias transcendentes ao mundo físico, mas sim a estrutura inerente aos próprios objetos: a estrutura básica comum aos diferentes pássaros existentes é que estaria expressa, universalizadamente, no conceito pássaro". (Aristóteles, 1987:XVIII). Coleção Os Pensadores, Volume I, Editora Nova Cultural, São Paulo SP (1987).

[4] SANTOS, Milton (Organizador) et all. O Novo Mapa do Mundo - Fim de Século e Globalização, Hucitec-ANPUR, São Paulo (1997).

[5] LOJKINE, Jean. A Revolução Informacional, Cortez Editora, São Paulo SP (1995)

[6] QUÉAU, Phillipe. Lo virtual. Virtudes y vértigos. Barcelona: Paidós, 1995.
[7] LEVY, Pierre. O que é o virtual? Editora 34. São Paulo. 1996.
[8] DELEUZE, Gilles. O Atual e o Virtual in Deleuze Filosofia Virtual de Éric Alliez. Editora
34. São Paulo. 1996.

[9] Jornalista, fotógrafa e atual editora da revista IRIS.
[10] Ensaio realizado para a disciplina Deus Ex-machina - Rumo à Civilização Místico-Tecnológica, do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação e Artes - USP em agosto de 1997.
[11] Jornalista e Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas pela UFSC. RASTROS revista virtual do núcleo de estudos em comunicação
[12] Professor universitário de computação gráfica e webdesigner e doutorando em Artes pela USP.
[13] Doutor pela Universidade de Montpellier, França, professor do Departamento de Educação da UFMS e pesquisador da área de Educação Matemática
[14] Mestrando, Faculdade de Comunicação, UFBa. jcsr@bahianet.com.br
 
[15] Universidade Federal de Santa Maria - RS, Brasil

UMA LEITURA DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB), Nº 9.394 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 COM LEVANTAMENTO E QUESTIONAMENTO DE ASPECTOS FUNDAMENTAIS PARA REFLEXÕES: EDUCAÇÃO, PRINCÍPIOS E FINS


Abril/2003

Este artigo tem como objetivo fazer uma reflexão sobre os princípios e fins da educação nacional postos em Lei específica.  
A LDB Nº 9.394, em seu Artigo 1º vai dizer que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na família, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Diz ainda em seus parágrafos 1º e 2º que o objetivo dessa lei é disciplinar a educação escolar, que deve vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.
A educação, portanto vai acontecer em diversos ambientes e o papel da escola é o de preparar o indivíduo para o mundo do trabalho e aí podemos refletir em como o sistema quer o trabalhador, se dócil, obediente, disciplinado, criativo, questionador, competente, analfabeto... (cabe aos profissionais da educação escolherem se estarão a serviço da instituição ou da educação, é uma questão de opção).
E outro papel da escola é o de socialização: que os indivíduos aprendam a conviver uns com os outros. E esse talvez tenha sido o principal papel da escola.
No Artigo 2º vai dizer que a educação é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana.
Coloca aí a responsabilidade, em primeiro lugar para a família, o que a sociedade industrial tirou, pois os pais, a princípio, para a mentalidade desse tipo de sociedade tinham que trabalhar período integral nas fábricas e não podiam cuidar dos filhos. Hoje a sociedade sente o problema que esse fato provocou. A lei vem tentar resgatar a responsabilidade da família, mas sem modificar a estrutura familiar que ainda exige que todos trabalhem período integral para poder sobreviver (não é nem para poder viver). Faltam aí políticas públicas sérias para reverter essa situação, não é um artigo de lei que vai mudar esse quadro.
Ainda no Artigo 2º vai definir a finalidade da educação: pleno desenvolvimento do educando, preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Pleno desenvolvimento do educando, entendo eu que aproveitando o que ele é e a bagagem que ele traz, sem nenhuma interferência ideológica por parte dos educadores, ou da instituição escolar.
Seu preparo para o exercício da cidadania: que ele saiba participar. Grande dificuldade tem a escola nesse aspecto. Ela própria: administração e corpo docente têm grande dificuldade em participar e em abrir espaço para participação do outro. Não há tempo e nem interesse que os outros participem das decisões. E essa é uma característica da organização piramidal. Enquanto a escola trabalhar com a organização piramidal é bobagem falar em cidadania. Não é um artigo de lei que vai instituir a cidadania. Cidadania é vivência no dia a dia. E a escola não tem estrutura para isso. É só discurso. Se formos analisar a fundo não há participação dos alunos nas decisões da escola, não há participação dos pais de alunos nas decisões da escola, não há participação dos professores nas decisões da escola. Tudo é conduzido, em nome do bem-estar do sistema e das suas condições ou falta de condições. Cidadania exige transparência, o que a organização piramidal não tem.
E sua qualificação para o trabalho. (Qual o perfil do trabalhador que é exigido na região onde se situa a escola? Qual a classe social que essa escola atende? Esse trabalhador precisa saber ler e escrever? Ou é melhor que ele não saiba?).
No artigo 3º diz que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola
Isso tem acontecido. Cada vez há menos pessoas fora da escola. E isso para o sistema é muito bom, porque assim são menos pessoas perturbando a “ordem”. O que precisa agora é melhorar as condições do ensino. Não basta colocar todos dentro da escola, em horário integral até, e por mais tempo. É preciso estrutura, senão serão outras tantas unidades da FEBEM. Não basta escola para todos, é preciso primar pela qualidade da educação.
Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber
Esse talvez seja o inciso mais bonito dessa lei. É o respeito à diversidade. Tanto do aluno quanto do professor. É a ausência da censura, em favor da educação.
Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas
Continua com o respeito à diversidade. O respeito às idéias de todos e a forma de trabalhar de cada um.
A globalização veio nos ensinar que há uma riqueza enorme na diversidade, ao contrário do que a modernidade almejava: uma sociedade de pessoas todas iguais, dentro de um padrão estabelecido pelos “iluminados”. E por isso essa diversidade merece todo o nosso respeito. E a escola pública, em particular, é um campo rico em diversidades, tanto no que diz respeito ao corpo docente quanto discente. Muitos problemas serão solucionados na escola pública quando se perceber a beleza de se trabalhar com a diversidade e deixar de querer determinar padrões de conduta em nome de linha de trabalho única. Quando se pensa em instituição, é fácil determinar padrões, porque está claro o objetivo da instituição, mas quando se pensa em educação fica difícil determinar padrões, porque o respeito está acima de qualquer ideologia.
Respeito à liberdade e apreço à tolerância
Continua ainda aqui defendendo a diversidade. Saber tolerar o “outro”, as idéias do outro o modo de ser do outro, o modo de agir do outro. O outro aqui pode ser o aluno ou nosso colega de trabalho, ou qualquer membro da comunidade escolar.
Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino
Claro, ajuda na manutenção das classes sociais pré-determinadas, é uma característica do nosso sistema social.
Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais
Está certo. Questionável no caso das universidades públicas onde grande parte dos alunos pertence a uma classe econômica privilegiada.
Valorização do profissional da educação escolar
Até o presente momento o profissional da educação escolar continua sendo desvalorizado, seja atendendo a salas superlotadas, seja não tendo tempo para preparo de material didático-pedagógico de qualidade, seja no recebimento de baixos salários.
O professor pode atender muitos alunos, mas não todos de uma vez só. É impossível um trabalho de qualidade em uma sala com quarenta alunos. Pode até ter momentos de atendimento a todos de uma só vez, até mais de quarenta alunos, em um auditório, caso o espaço ofereça condições, mas nos momentos de orientação a trabalhos de pesquisa, a acompanhamento dos trabalhos, revisão dos mesmos e avaliação, o professor deve trabalhar com grupos de no máximo dez alunos, e a escola tem que ter estrutura para saber o que fazer com os outros alunos que não estão sendo atendidos por aquele professor naquele momento. Aí a importância de se criar espaços como bibliotecas, videotecas, espaços esportivos, salas de informática, auditórios, refeitórios etc., além de possuir elementos humanos disponíveis.
Esse professor tem que ter tempo dentro da escola para escolha de seu material didático pedagógico, para poder fazer levantamento de material a ser indicado a seus alunos, indicando algumas fontes onde se poderá encontrar o assunto de sua pesquisa, tempo para ler, estudar, orientar os alunos de forma satisfatória e atender aos pais para juntos poderem ajudar o aluno em suas dificuldades. O professor tem que ter autonomia para planejar, executar, avaliar seus trabalhos e orientar seus alunos.
E ter um salário digno para que não precise trabalhar muitas vezes em três turnos para ter uma vida razoável.
Isso é valorizar o profissional. O resto é conversa.
A lei em seu Artigo 67 diz que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais de educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
       I – Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;
       II – Aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;
       III – Piso salarial profissional;
       IV – Progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação de desempenho;
       V – Período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga horária de trabalho;
       VI – Condições adequadas de trabalho.
Isso tudo deve constar em estatuto.
Em minha opinião precisamos abrir uma discussão profunda sobre o Estatuto do Magistério e do Plano de Carreira. Para depois traçarmos o nosso Projeto Político Pedagógico e aí então revermos o nosso Regimento Escolar.
Gestão democrática do ensino público, na forma da Lei e da legislação dos sistemas de ensino
A organização piramidal é por si mesma antidemocrática. Não dá para se falar em democracia na escola com essa estrutura, assim como em cidadania. É só discurso. Mesmo as escolas que adotam eleição para diretores continuam com os mesmos vícios, e tem sido enganação. Os diretores têm estado mais a serviço da instituição que da educação.
Garantia de padrão de qualidade
Impossível falar de qualidade enquanto não se resolver a questão da valorização do profissional da educação escolar. E a discussão não passa por organizações seriadas ou em ciclos, a questão é mais profunda, o problema é estrutural.
Valorização da experiência extra-escolar
É mais um aspecto do respeito à diversidade, ao saber do outro.
Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
Fala da importância da escola não alienada do mundo.

 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
BRASIL.Lei nº 9.394 – 20 dez. 1996, Lei de
    diretrizes e bases da educação nacional (LDB)
    Belo Horizonte: UFMG,1997.
CARMO, Josué Geraldo Botura do. Contribuir para o
     processo democrático: um desafio para a
     educação.junho/2000.
     <http:planeta.terra.com.br/educação/josue>
      acessado em 17/04/2003
CARMO, Josué Geraldo Botura do. A construção da gestão democrática
       na escola pública: uma ousadia. Junho/2000.
       <http:planeta.terra.com.br/educação/josue>
       acessado em 17/04/2003
CARMO, Josué Geraldo Botura do. A gestão democrática nas escolas
       públicas:uma pequena reflexão. Janeiro/2002.
       <http:planeta.terra.com.br/educação/josue>
       acessado em 17/04/2003

 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1. e 2. graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2. grau. Professor facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO - MEC - NTE-MG2

UMA FORMA POSSÍVEL DE SE TRABALHAR COM PROJETOS


Josué Geraldo Botura do Carmo[1]

Janeiro/2002


O trabalho com projetos no ensino vai viabilizar o aprendizado de como fazer uma pesquisa científica, de como estudar com autonomia, preparando o indivíduo para ser autodidata.  As informações hoje já estão dadas, o que precisamos saber é como selecioná-las e conectá-las. O trabalhar com projetos poderá formar indivíduos independentes e autônomos, em prol de uma sociedade mais livre, com perspectivas de um novo modo de produção, e novas relações de propriedade. 
Nesta perspectiva o conteúdo não vem ao caso, o importante é o desenvolvimento de habilidades de pesquisa, e durante o próprio trabalho incorpora-se conceitos necessários para compreender o tema estudado. É preciso desenvolver  no aluno a capacidade de buscar por si só aquilo que deseja saber, utilizando os diversos meios que a sociedade de informação e comunicação oferece: livros, vídeos, filmes, revistas, jornais, rádio, televisão, software, Internet, etc. 
Para iniciar um trabalho com projeto a primeira coisa a se fazer é eleger um tema: Qual o assunto que se deseja pesquisar? E logo a seguir fazer a delimitação do tema. Por exemplo, desejo pesquisar sobre Artes Plásticas. Mas Artes Plásticas é um tema muito amplo. Então vou fazer uma delimitação deste tema: As Artes Plásticas no Brasil na década de 20. Agora a minha pesquisa está mais direcionada. Posso fazer uma pesquisa de melhor qualidade. É importante ter em mente o porque desta pesquisa. Vem então a justificativa. Você vai dizer porque resolveu fazer esta pesquisa e não outra qualquer. Porque este interesse e a que irá servir.
Você já tem o tema, e a justificativa, agora poderá levantar algumas hipóteses sobre este tema para confirmá-las ou não durante o processo de pesquisa. Como você vê as artes plásticas no Brasil na década de 20? Quais as influências e tendências? Quais os artistas plásticos deste período? 
Agora você já pode estabelecer os objetivos de sua pesquisa, quais as perguntas que você gostaria de ter respondidas sobre as Artes Plásticas no Brasil na década de 20? Você pode fazer quantas perguntas quiser, mas não faça muitas para que você possa trabalhar bem as que você fizer. Exemplo: 1. Quais as influências das artes plásticas no Brasil na década de 20? 2. Quais as tendências das artes plásticas no Brasil neste período? 3. Quais foram os artistas plásticos que mais se destacam nesta época aqui no Brasil? 4. Quais as obras deste período que mais se destacaram? 
Agora sei o que vou pesquisar. Determinarei  onde vou buscar as respostas para as minhas perguntas: livros, revistas, jornais, vídeos, Internet, entrevistas, visitas a museus. E estabelecer um tempo (cronograma) para as diversas etapas da pesquisa: um tempo para fazer levantamento do material, um tempo para selecionar o material, um tempo para organizar os resultados, e uma data para que o trabalho esteja pronto.  
É só começar a buscar o material, e fazer uma seleção do mesmo.  Não se esquecer de anotar a procedência de todo o material usado na pesquisa, para a bibliografia no final do trabalho. 
Agora é só ir lendo o material, e ir respondendo as questões levantadas nos objetivos, de acordo com as informações obtidas nas diversas fontes pesquisadas. Fazer um resumo dos textos e organizá-los de forma que o texto fique claro, de fácil compreensão e agradável de ser lido. Refaça  este texto quantas vezes for necessário. Coloque uma conclusão final e informe as fontes que você pesquisou para escrever o texto. Por fim faça uma introdução contando qual o caminho que você percorreu para realizar essa pesquisa. A introdução deve ser sedutora, convidando o leitor a continuar lendo o seu trabalho. 
Seu trabalho ficou pronto. Faça agora uma capa constando o nome da instituição, no alto da página, o título do trabalho em destaque no centro da página, justificado à direita, a disciplina e o nome do professor, abaixo do título, e abaixo, justificado à esquerda, o(s) nome(s) do(s) pesquisador(es). Cidade e data (mês e ano), centralizadas no final da página. Caso haja necessidade, faça um sumário e organize o texto colocando a introdução, o desenvolvimento da pesquisa, a conclusão e a referência bibliográfica. Faça uma revisão e está pronto a ser entregue para apreciação do professor.

[1] Pedagogo  com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.

SUBSÍDIOS DO MUNDO DO TRABALHO PARA SE REPENSAR A EDUCAÇÃO


Fevereiro/2003
Para Marcelo Fernandes[2] "a única vantagem competitiva é a habilidade de aprender e mudar rapidamente". Há algum tempo atrás quando queríamos divulgar uma informação tínhamos que datilografar o texto básico, revisar, diagramar, providenciar cópias, envelopar, endereçar e distribuir. Hoje, como num passe de mágicas, eu concebo, digito e num simples clicar, envio a mensagem a milhares de pessoas do mundo todo, que as receberão instantaneamente, onde estiverem. Sei quem receberá a mensagem que estou enviando, mas não sei onde será recebida... Onde a pessoa estiver no momento ela poderá receber a minha mensagem. Rompem-se as barreiras do espaço físico. Meus colaboradores, clientes, parceiros e fornecedores recebem minhas informações no momento em que eu as concebo.
"Essa redução do tempo necessário para a execução de tarefas, antes muito demoradas, traz um desafio enorme para as empresas. Elas têm, muitas vezes, que mudar de estratégia rapidamente, em resposta a uma alteração no sistema financeiro asiático ou à chegada de novos concorrentes no mercado, por exemplo". (FERNANDES)
Há uma mudança de ritmo, de velocidade. E é nesse ritmo e nessa velocidade que o aprendizado tem que acontecer. Necessitamos de pessoas de raciocínio rápido, criativas e versáteis, capazes de conectar informações no momento preciso. Pessoas flexíveis, não especialistas demais, prontas a aprender, comunicativas, capazes de compreender a diversidade cultural, e que compreendam a linguagem da informática e que saibam selecionar as informações e filtrá-las. A aprendizagem na era digital está diretamente ligada à qualidade da "infra-estrutura do conhecimento", que a própria tecnologia vai contribuir para que isso aconteça fornecendo um ambiente com amplo acesso a informações e troca de experiências.
"Um dos aspectos do raciocínio humano mais impressionantes é a habilidade de se deslocar de um pensamento para outro. E a forma como a multimídia organiza as informações é baseada nessa estrutura do pensamento humano. Diferentemente de um programa de vídeo/televisão, os programas em multimídia são planejados para serem experimentados através de navegação interativa. A meta fundamental é que a aprendizagem torne-se uma exploração pessoal, ao invés de uma experiência passiva". (FERNANDES)
A multimídia vai estimular todos os nossos sentidos desenvolvendo nosso raciocínio dedutivo, indutivo e nossa intuição, através de hipertextos, figuras, fotos, animações bi ou tridimensionais, vídeo digital, realidade virtual, opções de busca e filtragem de informações. E podemos voltar ao mesmo assunto quantas vezes forem necessárias para a construção de conceitos ou reformulação dos mesmos, sempre de forma personalizada. Cada qual nos seus interesses ou necessidades e no seu ritmo.
As novas tecnologias poderão contribuir para a democratização do conhecimento, em prol da diminuição da exclusão social.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FERNANDES, Marcelo. Aprendizagem na era digital e a vantagem competitiva das empresas.Revista @prender virtual. fev.2003
Acessado em 13.02.2003

 

[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor facilitador pelo PROINFO - MEC - NTE-MG2
[2] Marcelo Fernandes é consultor na área de tecnologias de aprendizagem e sócio-diretor da Mentor Tecnologia.


SOBRE A QUALIDADE DOS CURSOS PRESENCIAIS E NÃO-PRESENCIAIS


Abril/2002

Moran vai dizer que um bom curso é aquele que nos empolga, nos surpreende, nos faz pensar, nos envolve ativamente, traz contribuições significativas e nos põe em contato com pessoas, experiências e idéias interessantes. Depende de um conjunto de fatores previsíveis e de uma “química”, uma forma de juntar os ingredientes. 
É preciso para um bom curso que tenhamos educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar, que atraia pelas suas idéias e pelo contato pessoal. Enfim, que surpreenda nas relações que estabelece: na forma de olhar, de comunicar-se e de agir. Vai depender também dos alunos: que sejam curiosos, motivados, que facilitem o processo, estimulem as melhores qualidades do professor e tornem-se interlocutores lúcidos e parceiros de caminhada do professor-educador. Depende ainda que se tenha administradores,diretores coordenadores mais abertos, capazes de atender todas as dimensões que estão envolvidas no processo pedagógico, além das empresariais ligadas ao lucro. Que apóiem os professores inovadores, que equilibrem o gerenciamento empresarial, tecnológico e humano, em prol de um ambiente de inovação, intercâmbio e comunicação. E finalmente, precisamos para desenvolver um bom curso de ambientesricos de aprendizagem, com uma boa infraestrutura física: salas, tecnologias, bibliotecas, laboratórios, etc. Porque a aprendizagem não se faz somente na sala de aula, mas em diversos espaços de encontro, de pesquisa e de produção. 
Um dos grandes problemas em educação a distância, para o autor,  é o ambiente reduzido ainda a um lugar onde se procuram textos, conteúdo. E para ele um bom curso é mais do que conteúdo: é pesquisa, troca, produção conjunta. É preciso na educação a distância de materiais mais elaborados, mais auto-explicativos, com mais desdobramentos (links, textos de apoio, glossário, atividades...), capazes de suprir a menor disponibilidade ao vivo do professor. Moran vai dizer que para isso necessitamos de uma equipe interdisciplinar composta por pessoas da área técnica e pedagógica, que saibam trabalhar juntas, cumprir prazos e dar contribuições significativas. Porque é necessária uma boa interação entre todos os participantes do curso, do estabelecimento de vínculos e de fomentar ações de intercâmbio.

”Quanto mais interação, mais horas de atendimento são necessárias. Uma interação efetiva precisa de ter monitores capacitados, com um número equilibrado de alunos. Em educação a distância não se pode só ‘passar’ uma aula pela TV ou disponibilizá-la num site na Internet e dar alguns exercícios”.  
É preciso um planejamento bem elaborado, mas sem rigidez excessiva, flexível, com liberdade e criatividade. E para se avançar é preciso adaptar os programas previstos às necessidades dos alunos, criando conexões com o cotidiano, com o inesperado. Fazendo do curso uma comunidade viva de investigação, com atividades de pesquisa e de comunicação. A flexibilidade é que vai permitir a adaptação às diferenças individuais, respeitando os diversos ritmos de aprendizagem, integrando as diferenças locais e os contextos culturais. A organização vai nos permitir gerenciar as divergências, os tempos, os conteúdos, os custos, estabelecendo os parâmetros fundamentais. Há de se respeitar ainda as diferenças de estilo de professores e alunos. São processos de ensino-aprendizagem personalizados, sem descuidar do coletivo. O professor tem a liberdade de aplicar o seu estilo pessoal de dar aula, sentindo-se confortável para conseguir realizar melhor seus objetivos, com avaliação contínua, aberta e coerente. 
Para Moran um curso tanto presencial como a distância será sempre caro, pois envolve qualidade pedagógica e tecnológica. E para ele não se improvisa qualidade, ela tem sempre um alto custo. Mas esse custo vale a pena, porque só assim se pode avançar de verdade.


 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
O que é um bom curso a distância?
José Manuel MoranProfessor de Novas Tecnologias no Programa de Educação e Curriculum da PUC-SP Assessor do Ministério de Educação para avaliação de cursos a distância 
Coordenador de Tecnologia da Faculdade Sumaré – SP
 

 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO - MEC

REFLEXÕES SOBRE UM NOVO TEMPO E UM NOVO ESPAÇO PARA A EDUCAÇÃO: UMA OUTRA DIMENSÃO


Julho/2003

“O tempo avança, e quem não avança com ele
fica velho, assim como você”.
Gorki

Temos ouvido falar muito na questão do tempo escolar na escola pública, no sentido de se ampliar os anos de escolarização do aluno, e/ou aumento das horas do aluno na escola,  como se isso por si só implicasse em qualidade. Isso pode atender sim a diminuição do desemprego dos profissionais da área da educação, e aos pais, que terão onde deixar seus filhos de seis anos, sem ônus, pois a educação pré-escolar está cada vez mais nas mãos da iniciativa privada, as poucas existentes, mantidas pelo poder público, são em sua maioria de péssima qualidade. Mais uma vez o sujeito da educação está em segundo plano. Não é o aumento das horas na escola, ou dos anos escolares que vai resolver a questão do analfabetismo, visto que temos alunos que estão na escola há quatro anos, senão mais, e ainda não sabem ler e escrever. Não há como se pensar no tempo escolar desvinculado do espaço escolar. Não é possível uma educação que vise um sujeito autônomo, criativo, participativo (e isto é ser alfabetizado), numa estrutura física feita para a formação de sujeitos dependentes, disciplinados, obedientes e conformados (analfabetos). O sistema que vigorou até agora, dentro do paradigma da sociedade industrial, exigia muitos analfabetos em prol da riqueza do país, exigia uma reserva de mão de obra barata, de pessoas dependentes, disciplinadas, obedientes e conformadas, hoje o quadro é outro e sabemos que não se produz tecnologia de ponta com mão de obra desqualificada. Precisamos de pessoas autônomas, criativas, participativas, para podermos gerar riqueza. Vivemos outro tempo e outro espaço no nível mundial, e não é possível  a aplicação dos novos métodos e técnicas de ensino, quando falamos em Pedagogia dos Multimeios, dentro de um espaço obsoleto.
Direta ou indiretamente vivemos num ciberespaço tendo influências das redes telemáticas, da telefonia móvel, das televisões a cabo, das conecções on-line e interativas, através da tela e o teclado do computador, do controle remoto da TV, do áudio dos telefones móveis. Esse fenômeno cultural contemporâneo promove um novo e profícuo espaço sócio-cultural, tornando-se parte fundamental de nossa cultura.Experimentamos o não-espaço e circulamos, muitas vezes sem nem percebermos, em um território transnacional, sem referências de lugar ou e de caminho. Ambientes sociais complexos e plurais acontecem nos mais diversos aspectos do relacionamento humano. É a realização do sonho de uma inteligência coletiva que está acontecendo em uma dimensão não convencional da noção de espaço. Vivemos um processo de desmaterialização do espaço físico. É um espaço mágico acontecendo em uma outra dimensão. São blocos econômicos que se formam, fronteiras alfandegárias que se abrem, intercâmbios culturais que se intensificam. A acessibilidade não depende mais da proximidade, as comunidades estão deslocadas da realidade geográfica tradicional, e é essa nova noção de espaço que vai completar e intensificar a sensibilidade da cultura contemporânea. É a possibilidade de se começar a construir um planeta sem fronteiras através da socialização da informação e dos meios de comunicação dessas informações.
E a minha questão é a seguinte: como fica o espaço escolar? Continuamos em salas de aula estanques? Engavetados para nos tornarmos dóceis? Ou vamos propor uma nova arquitetura? Uma arquitetura arrojada, montada pensando no aluno, no desenvolvimento de suas potencialidades e no respeito ao ritmo e limites de cada um. Um ambiente capaz de colocar todos os alunos juntos em situação de aprendizagem, com sentido para cada um, um ambiente capaz de envolver e mobilizar todos para o saber, atendendo a “zona de desenvolvimento proximal” de cada um. Não basta estarmos disponíveis para os alunos, precisamos compreender o motivo de suas dificuldades de aprendizagem e saber como superá-las, e precisamos promover as interações sociais, visando a comunicação e a cooperação. Precisamos de uma outra organização da estrutura escolar que rompa de uma vez por todas com a mentalidade de seriação, que amplie e crie novos espaços-tempos de formação, usando todos os recursos disponíveis para possibilitar a cada aprendiz o “vivenciar, tão freqüentemente quanto possível, de situações fecundas de aprendizagem”.
Conscientes de que trabalhamos com turmas heterogêneas, e sabedores que somos de que é preciso respeitar as diferenças, temos que criar dispositivos múltiplos, e para isso precisamos contar com espaços diferenciados dentro da escola, com salas ambiente, bibliotecas, sala de informática, oficinas, laboratórios, cantos, além de métodos complementares, inventividade didática e organizacional. Tudo para atender as diferenças. Precisamos aprender a trabalhar em espaços mais amplos, de forma cooperativa, em equipes. Para tanto o professor precisa de mais tempo, mais recursos, mais imaginação e mais competência, com domínio dos fatores sociológicos, didáticos e psicológicos. O professor precisa ter tempo e capacidade para escutar seus alunos e ajudá-los a formular seu pensamento, valorizando seus projetos, ainda que incompletos, incoerentes e instáveis, nem sempre racionais e justificáveis.
É uma escola com muitos espaços diversificados: salas ambientes para cada disciplina (informatizadas), biblioteca, sala de informática, laboratório de ciências, laboratório de matemática, ambientes de alfabetização, quadras de esporte, refeitórios e quantos espaços mais pudermos imaginar. Os alunos se organizariam em grupos de acordo com seus interesses de aprendizagem, montariam seus projetos multidisciplinares com a ajuda dos professores, escolhendo um tema, fazendo a delimitação desse tema, justificando a escolha do tema, elegendo objetivos, traçando um cronograma, fazendo levantamento de material necessário para a execução do projeto. E dessa forma o grupo poderia usar todos os ambientes da escola, ou mesmo fora da escola, para sua pesquisa, fazendo levantamento bibliográfico, selecionando material, fazendo suas anotações, levantando hipóteses, e esse grupo teria um contato com o professor que iria orientando a sua pesquisa, indicando fontes, indicando outros professores da escola, que poderiam orientar melhor certos aspectos da pesquisa, questionando certos pontos levantados pelo grupo. Seriam vários grupos, espalhados pela escola, cada qual trabalhando dentro de seus interesses, de forma cooperativa, enquanto alguns elementos do grupo estão na biblioteca, outros estão na sala de informática, outros vão ao laboratório de ciências, todos trabalhando dentro dos objetivos da pesquisa, se encontrando com outros grupos e interagindo. Estes alunos se encontram, trocam idéias, levantam hipóteses, e retornam ao professor orientador com o resultado da pesquisa. Uma vez pronto o trabalho, o grupo entrega o resultado final escrito ao professor e fazem uma explanação pública dos resultados obtidos, contando o caminho que percorreram para a elaboração do trabalho, as questões levantadas e as respostas obtidas. Isso seria preparar o aluno para o fazer científico, principal função da escola, no meu entender, preocupando-nos menos com conteúdos e mais com a formação de conceitos, que se adquire durante a produção. Dessa forma estaríamos  “possibilitando que cada aprendiz vivencie, tão freqüentemente quanto possível, situações fecundas de aprendizagem”. Desenvolvendo nos alunos a autonomia e a responsabilidade para realizar suas tarefas. E respeitando o tempo de cada um. 
São alunos com diferentes níveis de desenvolvimento, com diferentes conhecimentos prévios, com diferentes relações com o saber, com interesses diversos, com recursos diversos, com diferentes maneiras de aprender, em momentos de interatividade, agindo de forma coletiva e cooperativa. E a informática vai poder contribuir e muito para esse processo de desenvolvimento dessa nova escola. Uma escola motivadora e capaz de trabalhar com a diversidade. 
Se a escola não se propuser a repensar seu tempo e seu espaço visando o aluno, em vão serão todos os esforços para a formação de uma sociedade democrática e justa.

 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CARMO, Josué Geraldo Botura do. O espaço geográfico da pós-modernidade: um espaço sem fronteiras ou o deslocamento da noção convencional de espaço.
<http://planeta.terra.com.br/educacao/josue> Novas Tecnologias na Educação
Acessado em 28/07/03
CARMO, Josué Geraldo Botura do. Um pouco de Perrenoud
<http://planeta.terra.com.br/educacao/josue> Colégio Premium - Estudos
Acessado em 28/07/03
 1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º grau e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO-MEC – NTE-MG2

REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA ATUAL DOS SISTEMAS EDUCACIONAIS


Abril/2002

Para refletirmos sobre os sistemas educacionais temos que ter por base a cybercultura em sua relação com o saber: a velocidade com que o saber hoje chega até nós, e a velocidade com que ele se renova. As competências adquiridas no inicio de nossa formação profissional vão ficando obsoletas no decorrer do exercício da profissão. Daí a fremente necessidade de estar-se em constante atualização. Trabalhar equivale cada vez mais a aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos. As tecnologias intelectuais do ciberespaço vão alterar as funções cognitivas humanas tais como a memória através dos bancos de dados, dos hipertextos; a imaginação através de simulações, a percepçãoatravés de realidades virtuais; o raciocínio através da modelização de fenômenos complexos. Tudo a favor da incrementação do potencial da inteligência coletiva dos grupos humanos. A partir daí é preciso mais do que nunca repensar o problema da educação e da formação do indivíduo. Os programas e currículos a partir de agora, devem ser personalizados uma vez que os percursos e os perfis de competência são singulares. Novos modelos do espaço do conhecimento estão sendo construídos. A educação não suporta mais esse modelo de representação em escalas lineares e paralelas, essa estrutura piramidal organizada em níveis com base em pré-requisitos, com um começo e um fim. A arquitetura proposta agora, é de espaços de conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxos, não-lineares, que se reorganizam conforme os objetivos ou contextos, respeitando os interesses e o ritmo de cada um.

Lévy vai propor duas grandes reformas dos sistemas de educação e formação. Primeiro é a adaptação dos dispositivos e do espírito do aprendizado aberto e a distância, no cotidiano da educação, um novo estilo de pedagogia que favoreça os aprendizados personalizados e o aprendizado cooperativo em rede. Para ele o papel do professor neste novo contexto será o de animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos. A atividade maior do professor agora é o acompanhamento e o gerenciamento dos aprendizados, incitando ao intercâmbio dos saberes.
A segunda reforma de acordo com Lévy vai envolver o reconhecimento do aprendido. Para ele os sistemas de ensino públicos devem assumir o papel de orientar os percursos individuais no saber e contribuir para o reconhecimento do conjunto de know-how das pessoas, incluindo aí os saberes não-acadêmicos. Uma vez que os indivíduos aprendem cada vez mais fora das fileiras acadêmicas, cabe aos sistemas de educação implementarem procedimentos de reconhecimento dos saberes e know-how adquiridos na vida social e profissional. 
O ciberespaço é profuso, aberto, heterogêneo e não-totalizável, nele há interatividade, reflexão. E é dentro destes conceitos que o novo modelo de educação e de formação está sendo construído. A transformação é constante e em grande velocidade, tudo flui e escoa-se. A informação transborda... “Cada reserva de memória, cada grupo, cada indivíduo, cada objeto pode tornar-se emissor e fazer aumentar o fluxo.” O ciberespaço vai nos dizer que “tudo” está definitivamente fora de alcance. Vamos navegando, surfando, enfrentando ondas, turbilhões, correntes e ventos contrários, não mais escalamos pirâmides. E os suportes de informação vão contribuir para a estruturação da “ecologia cognitiva” das sociedades, determinantes de seus valores e seus critérios de julgamento. Destotalizado, o saber flutua, favorecendo os processos de inteligência coletiva nas comunidades virtuais. O ideal mobilizador da informática deixa de ser a inteligência artificial para se concentrar na inteligência coletiva: memória, imaginação e experiência. O ciberespaço, interconexão dos computadores do planeta, tende a tornar-se a maior infra-estrutura da produção, da gestão, da transação econômica. Será em breve o principal equipamento coletivo internacional da memória, do pensamento e da comunicação. E com esse novo suporte de informação e comunicação emergem gêneros de conhecimentos inéditos, assim como os critérios de avaliação para orientação do saber.
Há na atualidade um grande número de pessoas interessadas em uma formação educacional, clientela essa amplamente diversificada, em um momento em que a velocidade da evolução dos saberes é muito grande.
No Brasil, nem todos ainda têm condições de freqüentar o ensino médio. Nas universidades não há vagas. Os dispositivos de formação profissional e contínua estão saturados. É impossível aumentar o número de professores proporcionalmente à demanda, diversa e maciça. A saída está em técnicas capazes de multiplicar o esforço pedagógico dos professores e formadores. Audiovisual, “multimídia” interativa, ensino assistido por computador, TV. educativa, cabo, técnicas clássicas de ensino a distância fundamentadas essencialmente na escrita, monitorado por telefone, fax ou internet, é preciso pensar em todos os recursos disponíveis, de acordo com a realidade de cada região, num país de grande diversidade como o nosso. Tanto no plano das infra-estruturas materiais quanto nos custos de operação, escolas e universidades virtuais custam menos do que as escolas e universidades presenciais. Os cursos não-presenciais poderão atender a uma maior população e com melhor qualidade, um ensino personalizado, capaz de atender a diversidade, às reais necessidades e à especificidade do trajeto de vida de cada um.
Com os recursos das novas tecnologias programas educativos podem ser seguidos à distância pela WWW. Os correios e as conferências eletrônicas servem para monitoração inteligente, postos a disposição de uma aprendizagem cooperativa. Os suportes hipermídia permitem acessos intuitivos rápidos e atrativos a grandes conjuntos de informação. Sistemas de simulação permitem que nos familiarizemos de maneira prática e barata com objetos ou fenômenos complexos sem termos que nos sujeitarmos a situações perigosas, difíceis de controlar ou de alto custo. A distinção entre ensino presencial e a distância será cada vez menos pertinente. Em um breve futuro teremos uma mescla de presencial e virtual, tanto nos cursos presenciais como nos não-presenciais. Este tipo de ensino está em sinergia com a nova administração que está sendo implantada pela nova geração de administradores. É uma geração de autodidatas. A direção mais promissora, que define muito bem a perspectiva da inteligência coletiva no campo educativo é a do aprendizado cooperativo.
Nos campos virtuais, professores e estudantes compartilham recursos materiais e informacionais, onde todos aprendem. Pode-se participar de conferências eletrônicas desterritorializadas, com os melhores pesquisadores da área.
Os computadores podem ser usados como instrumento de comunicação, pesquisa, informação, cálculo, produção de mensagens através de textos, e/ou imagens, e/ou sons. O ciberespaço vai propiciar novas possibilidades de criação coletiva, de aprendizado cooperativo e de colaboração em rede, forçando o repensar da educação e dos modos habituais da divisão do trabalho.
Caberia portanto ao poder público, segundo o autor, garantir a cada cidadão uma formação elementar de qualidade; permitir a todos um acesso aberto e gratuito a mediatecas, centros de orientação, documentação e autoformação, a pontos de entrada no ciberespaço, sem negligenciar a indispensável mediação humana do acesso ao conhecimento; e regular e animar uma nova economia do conhecimento, na qual cada indivíduo, cada grupo, cada organização sejam considerados como recursos potenciais de aprendizado ao serviço de percursos de formação contínuos e personalizados.
 Referência Bibliográfica
 Pierre Lévy

EDUCAÇÃO E CYBERCULTURA

Trecho da obra «Cybercultura» a ser publicada a 21 de novembro pela editora Odile Jacob (França). 

 

[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.

REFLEXO, REFLEXÃO E AUTONOMIA


Março/2002

Para os autores  Ilan Gur-Ze’ev, Jan Masschelein & Nigel Blake** é preciso estar atento para os conceitos de reflexo e de reflexão. Temos nos deparado com os termos ‘auto-reflexão’, ‘reflexão transformadora’, ‘ato de reflexão’, ‘instituições reflexivas’, ‘culturas reflexivas’, ‘comunidades auto-reflexivas’.
Para mim o conceito de reflexo está para o conceito de interação, assim como o conceito de reflexão está para o conceito de interatividade, pois no reflexo não há participação, não há diálogo, o que há é discurso, imposição, dita-se normas, e por isso não haverá transcendência. E no caso da reflexão vai haver o diálogo, interatividade e portanto transcendência. Através do diálogo e somente através dele é que o indivíduo constrói a sua autonomia. Portanto a autonomia não pode ser dada a ninguém. O papel do educador é o de propiciar ao educando a interatividade, o diálogo, em todas as situações de ensino-aprendizagem, presenciais ou virtuais, para que o educando seja capaz de construir a sua autonomia. Em nossos diálogos em sala de aula, em nossos exercícios didáticos, na escolha de software, o professor tem que estar atento para o ato da reflexão, da interatividade, do diálogo, para que se forme uma geração de pessoas autônomas de fato, capazes de reflexão, como dizem os autores: não aceitando pacificamente a força de fatos ou o curso da história, sempre pronto a fazer um julgamento da história, não permitindo ser produzido, manipulado e nem reproduzido dentro do processo histórico. A reflexão é um ato de liberdade, e ainda de luta pela própria possibilidade de liberdade. E a reflexão é um processo individual e social ao mesmo tempo, pois ocorre no âmbito social e aí exerce um papel específico.

A reflexão recusa os “fatos dados”, nega as práticas padronizantes e seus fundamentos “auto-evidentes”, filosóficos, ideológicos e sociais, e pressupõe para o indivíduo um potencial de mudança, uma diferenciação essencial entre sujeito e objeto. O sujeito luta dentro e contra suas condições sociais e existenciais e suas condições conceituais, emocionais e éticas, em um processo dialógico, em que são questionados o domínio predominante do auto-evidente e de sua própria existência, sua presente constituição e metas.

O diálogo, a interatividade, a reflexão nos transportam para além da dimensão vigente da auto-evidência, e nos fazem seres autônomos. E para que haja um diálogo é necessário que reconheçamos o outro como totalmente diferente, mas um parceiro igual, uma possível fonte de novas perspectivas e possibilidades. Altera-se a totalidade da normalidade e abre espaço para alternativas. Um diálogo se determina pela solidariedade entre parceiros, pelo distanciamento que ambos consigam quanto ao que está dado e ao que parece auto-evidente.
O nosso compromisso é com o diálogo e contra a padronização do ser humano. Objetos podem ser padronizados, seres humanos não. Precisamos portanto reforçar os potenciais reflexivos do sujeito contra o auto-evidente, contra toda prática de padronização do ser humano, seja formal ou informal, em escolas e nas interações sociais e culturais, pois o ser humano é aquele capaz de reflexão, responsabilidade e transcendência.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

VEJA TAMBÉM


[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus, e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.
** Respectivamente da Universidade de Haifa, Israel; da Universidade Católica de Leuven e da Universidade Aberta do Reino Unido.




 
* Este texto é o resultado de longas discussões entre os autores. Se tivesse sido tratado por cada um separadamente seria um texto bem diferente.Não concordamos com todas as afirmativas do texto, mas aceitamos a ambigüidade presente no texto. Consideramos que é mais importante reagir ao presente triunfo do “realismo” do qual toda inspiração utópica parece ausente do que evitarmos dissensos entre nós.




 
** Respectivamente da Universidade de Haifa, Israel; da Universidade Católica de Leuven e da Universidade Aberta do Reino Unido.