UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI
NÚCLEO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – UFSJ
CURSO DE
ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
A DISPONIBILIDADE DA MÍDIA
INTERNET NAS ESCOLAS DE ENSINO BÁSICO NA REGIÃO
METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE -
MG
SETE
LAGOAS/MG
2012
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI
NÚCLEO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – UFSJ
CURSO DE
ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
A DISPONIBILIDADE DA MÍDIA
INTERNET NAS ESCOLAS DE ENSINO BÁSICO NA REGIÃO
METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE -
MG
Trabalho Final de Curso apresentado à Coordenação do Curso
de Especialização em Mídias na Educação, como requisito parcial para a obtenção
do título de Especialista em Mídias na Educação.
JOSUÉ GERALDO BOTURA DO CARMO
ORIENTADOR:
Prof. Dr. PAULO HENRIQUE CAETANO
SETE
LAGOAS/MG
2012
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI
NÚCLEO DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – UFSJ
CURSO DE
ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
A DISPONIBILIDADE DA MÍDIA
INTERNET NAS ESCOLAS DE ENSINO BÁSICO NA REGIÃO
METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE -
MG
JOSUÉ GERALDO
BOTURA DO CARMO
Trabalho Final de Curso apresentado à
Coordenação do Curso de Especialização em Mídias na Educação da Universidade
Federal de São João del-Rei, como requisito parcial para a obtenção do título
de Especialista em Mídias na Educação.
Aprovado em 19
de maio de 2012.
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________________________________
Prof. Dr. Paulo Henrique Caetano - Orientador
UFSJ
_________________________________________________________________
Profª. Ms. Deborah Walter de Moura Castro
UFLA / UFMG
_________________________________________________________________
Prof. Alexsandro Antônio Matias
UFSJ
2012
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus pais (in
memorian)
AGRADECIMENTOS
Agradeço às
minhas filhas Ananda e Alaia, a meus netos Luiz Gustavo e Santiago, e às minhas
netas Maria Cristina e Anna Rita.
RESUMO
Este trabalho
tem como objetivo conhecer a situação em que se encontram as escolas de ensino
básico na região metropolitana de Belo Horizonte – MG, no que diz respeito à
conectividade com a internet e a possibilidade de utilização da mesma no
contexto escolar, tanto pelos professores como pelos estudantes. Descrevemos os tipos de internet existentes
nas escolas segundo a velocidade, o local da internet nas escolas, o acesso dos
professores e estudantes a essa mídia, e a utilização da tecnologia wireless
dentro do espaço escolar. Foi usado um
questionário distribuído às escolas estaduais, municipais e particulares da
educação básica da região metropolitana de Belo Horizonte – MG, e foi feita uma
entrevista com diretores, vice-diretores, supervisores e professores das mesmas
redes e região. Através do desenvolvimento do presente estudo, foi possível
observar que esse recurso não é ainda utilizado no ensino-aprendizagem dentro
das instituições de ensino de maneira satisfatória, embora haja interesse do
pessoal administrativo e docente de que isso aconteça.
Palavras–chave: mídias na
educação; conectividade com a internet; sociabilidade; tecnologias de
informação e comunicação.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
|
7
|
CAPÍTULO
I – REVISÃO DE LITERATURA
|
10
|
CAPÍTULO
II – METODOLOGIA
|
15
|
CAPÍTULO
III – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
|
19
|
CAPÍTULO
IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
|
27
|
REFERÊNCIAS
|
33
|
INTRODUÇÃO
Algumas
proficiências são necessárias nos dias de hoje, na era da informação e da
comunicação, tais como: saber acessar uma informação, ser suficientemente
letrado para compreendê-la, ter capacidade para fazer uma análise crítica e um
uso prático da mesma; além de saber produzir uma informação de maneira fluente
e comunicativa, de modo a socializar conhecimentos, podendo revê-los após
opiniões de outros, numa relação dialógica.
A
centralidade das mídias na vida social é inegável, basta refletir sobre o papel
do rádio, televisão, vídeo, cinema, internet, celular, jornal, revista, videogame
etc. A construção da cidadania passa também pela apropriação crítica e criativa
das mídias, pois elas são partes integrantes na produção, reprodução e transmissão
da cultura contemporânea. Para além da função de controle social, as mídias
geram novos modos de perceber a realidade, de aprender, de produzir e difundir
conhecimentos e informações, contribuindo para uma sociedade autônoma e
colaborativa. As mídias informam, entretêm, educam e influenciam. Elas são
partes vitais da contemporaneidade, constituindo-se gradativamente numa esfera
pública da vida social, através do alto grau de interatividade que a internet
possibilita, sem exigir grandes conhecimentos técnicos dos usuários.
Na
educação as mídias podem ser usadas tanto como objeto de estudo, como
ferramenta pedagógica. E a importância da internet no interior do espaço
escolar é que ela contém todas as outras mídias, impressas e eletrônicas, que
podem ser trabalhadas na educação, tanto para leitura crítica das mesmas, como
para publicações próprias. E ainda tem em si a possibilidade de uma comunicação
com alto grau de interatividade, usando recursos de textos, imagens estáticas e
em movimento, voz e outros sons. É uma ferramenta com muitas possibilidades e
de baixo custo, se comparada ao custo de produção e aparelhagem necessária de
outras mídias.
E
a internet pode ainda ser um canal de participação do cidadão, que favorece a
democracia participativa. Movimentos sociais, políticos, populares e terceiro
setor têm buscado visibilidade e participação nesse meio de comunicação, para
divulgar suas ideias e interesses. Essa possibilidade de interatividade pode
propiciar mudanças significativas no campo comportamental, pois favorece a
autonomia, a colaboração, a participação, a cooperação e o diálogo. Porém, como
em todas as mídias, é preciso estar atento a todo material veiculado na
internet, para os riscos de manipulação ideológica, política, comercial e
publicitária. É necessário ter discernimento quanto aos casos de incitação ao
ódio com base em etnia, sexo, gênero, religião ou nacionalidade. Da mesma
forma, é estratégico saber perceber quando há discurso tendencioso em termos
políticos, econômicos ou sociais, ou ter discernimento para saber distinguir
mensagens de caráter autoritário, de oposição, ou abertas à negociação.
É
papel do Estado manter e fortalecer a infraestrutura da comunicação e da
informação no interior das escolas, promovendo a integração social e a inclusão
digital, pois nossos jovens precisam desde cedo aprender a lidar com a diversidade
das informações e de dados, acessando-os, selecionando-os e sintetizando-os. E
ainda precisam desenvolver a capacidade de compartilhar os conhecimentos
construídos. E a internet na escola pode servir como ferramenta pedagógica, com
o objetivo de melhorar a educação, tanto nos aspectos qualitativos como
quantitativos. Através dela pode-se acessar e veicular informações, comunicar,
desenvolver cursos de educação a distância e campanhas educativas.
Outro
aspecto da questão, a internet está revolucionando uma série de setores
econômicos e está se tornando um elemento de grande importância nos campos
social, educacional, cultural, econômico e político. Nunca antes volumes tão
grande de dados, informações e serviços estiveram à disposição dos cidadãos; e
novas formas de comunicação estão se desenvolvendo, e a participação em grupos
de interesse é aberta a todos. A internet apresenta um mundo novo e curioso,
com entretenimento, educação, informação e comunicação, forjando novas formas de
pensar, trabalhar, divertir e aprender. Esse sistema comunicativo e atuante
favorece uma relação colaborativa entre seus usuários, e é papel de um governo
democrático facilitar o acesso da população a essa poderosa ferramenta.
Este
trabalho preocupou-se em conhecer a situação em que se encontram as escolas de
ensino básico na Região Metropolitana de Belo Horizonte – MG, no que diz
respeito à conectividade com a internet e à possibilidade de utilização da
mesma no contexto escolar, tanto pelos professores como pelos estudantes. Preocupou-se
também em saber com que frequência diretores, vice-diretores, supervisores e
professores fazem uso da internet no dia a dia, e qual a opinião desses
profissionais da educação a respeito do uso da internet como recurso pedagógico,
pelos professores e estudantes dentro do espaço escolar.
No
primeiro capítulo fez-se a revisão da literatura, em que Bittencourt
(2003) nos chama a atenção para a
necessidade de se refletir sobre o papel social da escola. Santos (2003),
em uma sondagem sobre os modos de uso da internet por professores em escolas do
ensino fundamental, faz atentar para a necessidade de se rever os currículos,
os métodos e as técnicas de ensino vigentes. Marinho e Lobato (2011) tratam das
tecnologias digitais na educação e alertam para o formato ultrapassado da
escola, que continua dando ênfase à transmissão oral dos saberes pelo professor
e que faz do estudante um mero copista, dentro de um modelo de escola do século
XIX. Klering e Arcaro (2011) abordam o ensino do século XXI, que deve
preocupar-se em dar condições de autonomia aos jovens para que possam ter
aptidão para viver e participar ativamente da sociedade da informação e da
comunicação, acreditando que a internet no ensino poderá contribuir para a
construção dessa autonomia.
A
partir de discussões no curso a distância de Mídias na Educação pôde-se
compreender melhor os avanços científicos e tecnológicos no mundo contemporâneo,
que estão provocando mudanças nos campos sociais, econômicos e comunicacionais.
E essas mudanças exigem novas competências e habilidades no mundo do trabalho.
E as escolas podem fazer uso dessas tecnologias como ferramentas para
impulsionar a educação (UNIVERSIDADE, 2011a, b, e c).
Também
no primeiro capítulo procurou-se detalhar e conceituar internet, internet
discada, internet banda larga, sistema wireless e outros componentes, familiarizando
o/a leitor/a com os elementos da pesquisa.
No
segundo capítulo discorreu-se sobre a metodologia. Primeiramente fez-se um
levantamento teórico que deu base para a construção de um questionário
distribuído a estudantes e professores da educação básica, da rede pública e privada,
da região metropolitana de Belo Horizonte – MG, e uma entrevista a diretores,
vice-diretores, supervisores e professores, que tornaram mais concreta as argumentações.
No
terceiro capítulo foram apresentados os resultados obtidos no estudo, com
análise e discussão dos dados, com estatísticas e gráficos, usando os autores
da bibliografia para a justificativa dos comentários, trazendo novas problematizações
e recomendações parciais.
E
encerrando o trabalho, no capítulo final foram tecidas as últimas considerações.
CAPÍTULO I – REVISÃO DE LITERATURA
Bittencourt
(2003) constata que os trabalhos acadêmicos falam muito de metodologia de
ensino e de teorias de aprendizagem, mas faltam questionamentos sobre o lugar
social da escola. Para a autora, no Brasil antes, somente uma pequena elite
possuía o privilégio de frequentar uma escola, depois todos podiam ingressar na
escola. Contudo, alguns eram expulsos. Proibiu-se a expulsão, a repetência
provocou a evasão; acabou-se a repetência e aqueles mesmos que antes não tinham
a oportunidade de ingressar em uma escola, saem dela sem saber ler e escrever.
E isso não significa uma fatalidade, mas uma postura política. Para ela, o
papel da escola continua sendo o de selecionar, classificar, distinguir e hierarquizar.
Segundo
Santos (2003), a internet é um entrelaçamento complexo de informações textuais
e audiovisuais. Esse entrelaçamento acontece em formato de uma rede, sem começo
e sem fim, dando possibilidade ao leitor de construir sentidos diversos. Para o
autor a internet é cada vez mais empregada como meio didático em todos os
níveis de ensino, contribuindo na coleta de informações, na elaboração de
trabalhos e, muitas vezes, na publicação de trabalhos. De acordo com Santos
(2003, p. 307), “na rede particular, a situação é melhor em termos de
quantidade, mas não necessariamente em termos de qualidade”, pois há máquinas
disponíveis, mas o corpo docente não tem formação necessária para trabalhar a
informática de forma criativa, da mesma maneira que os professores da rede
pública. Em muitos casos os laboratórios de informática são conduzidos por técnicos
de informática, sem nenhuma formação pedagógica.
Para
Santos (2003, p. 310), “os professores lidam com a internet com uma rigidez que
não condiz com a flexibilidade e as inúmeras possibilidades de leitura e
construção de sentidos dos hipertextos eletrônicos”. E os estudantes que lidam
com outras abordagens não lineares, como os jogos eletrônicos, demonstram
considerável capacidade para lidar com essa linguagem. Cria-se então uma situação
de conflito entre liberdade e desordem, criatividade e desconexão, iniciativa e
rebeldia. Para o autor é preciso que a escola rompa com a dinâmica da sociedade
industrial, em que todos devem seguir os mesmos interesses no mesmo ritmo. Esse
currículo tradicional, com seu ritmo e seus rituais, tem sido motivo de um
desinteresse sistemático na escola, tanto por parte dos estudantes como por parte
dos professores.
De acordo com Marinho e Lobato
(2011, s/p) “vivemos hoje em uma sociedade fortemente marcada por tecnologias e
por imagens”, e “o computador, às vezes mesmo de forma invisível, está no
cotidiano de cada cidadão”. E para esses autores a escola continua vendo o
professor como a fonte de todo o saber, assim como no modelo da educação do
século XIX, com o professor no centro do processo, com uma transmissão oral de
saberes para alunos acríticos, meros copistas. Enquanto isso, fora da escola as
fontes de informação se multiplicam em grande velocidade. E os autores veem na
internet um grande espaço para informação e comunicação. Para eles, os jovens
navegam natural e cotidianamente pelo ciberespaço, desenvolvendo sua habilidade
de comunicação através de redes sociais, ambientes em que sabem buscar
informações relevantes. Além disso, costumam possuir blogs, flogs e vlogs,
participando de sites de compartilhamento de textos, fotos e vídeos. Isso gera
uma vivência participativa, colaborativa e cooperativa, pois os tornam autores,
co-autores, produtores e co-produtores, deixando de ser apenas leitores
isolados ou coletores de informações.
Para
as autoras Klering e Arcaro (2011, s/p) “a internet vem ganhando cada vez mais
espaço em nossa sociedade e se faz cada vez mais necessária na educação”.
Vivemos um período em que ter poder significa ter domínio sobre as informações,
e esse domínio é facilitado pelas novas tecnologias. Na opinião das autoras as
escolas devem se preocupar em formar pessoas aptas a viver e participar
ativamente dessa nova sociedade, capazes de competir por uma vaga no mercado de
trabalho em condições de igualdade com outros candidatos. E para elas o uso da
internet no ensino poderá contribuir para tal formação. A internet pode
facilitar o processo de ensino na criação de ambientes virtuais de aprendizagem,
que poderá ocorrer em diferentes locais e não somente na sala de aula
tradicional.
E
cada estudante pode estabelecer seus horários de estudo de acordo com as
necessidades e ritmo de cada um. O aprendizado, segundo Klering e Arcaro
(2011), deixa de ter um caráter passivo e passa a ser dinâmico e inovador, favorecendo
o raciocínio e a autonomia, o que vai refletir tanto no futuro pessoal quanto
no profissional. A internet pode ser também utilizada como uma grande biblioteca,
onde se encontra enorme variedade de assuntos, e esse fato pode estimular o
desenvolvimento das capacidades de criação, questionamento, seleção de informações
e solução para problemas propostos. Há também a faceta da troca de
conhecimentos com outras pessoas, através dos e-mails, das videoconferências e
dos chats.
Para
as autoras (KLERING e ARCARO, 2011, s/p) “computadores e internet não combinam
com aulas tradicionais nas quais o professor ‘despeja’ informações e os alunos
executam ordens”, ou seja “aprender a manejar um computador é simples, porém
abandonar o controle e repensar a estrutura das aulas não é tão fácil”. E esse
é um dos grandes desafios para quem pensa na questão das Mídias na Educação.
A
partir de discussões no curso a distância de Mídias na Educação, pôde-se
aprender que vivemos em um mundo em constantes mudanças de maneira acelerada
pelos avanços científicos e tecnológicos. Esses avanços impulsionaram as
transformações sociais e econômicas, e ainda provocaram uma revolução no campo
da comunicação (UNIVERSIDADE, 2011a).
E
pôde-se ainda constatar nesse mesmo curso que passamos com as tecnologias da
informação e da comunicação, de um cenário doméstico da sociedade industrial,
para um cenário globalizado, da sociedade da informação e da comunicação. A
ênfase agora está na capacidade de se transformar informação em conhecimento,
exigindo tarefas complexas, intelectuais e participativas. Novas competências e
habilidades são exigidas no que diz respeito às relações de trabalho, tais como
a criatividade e autonomia, seja na busca de informações ou na resolução de
problemas da vida e do trabalho (UNIVERSIDADE, 2001 b).
E
esse mesmo curso pôde-se perceber que as tecnologias das quais falamos são
meio, apoio e suporte; são ferramentas que favorecem a mudança na educação.
Essas tecnologias vão favorecer o processo de ensino-aprendizagem; permitir o
aprender em qualquer lugar e a qualquer hora. Flexibilizam esses processos de
ensino-aprendizagem, permitindo que se abram os portões das escolas para o
mundo, trazendo o mundo para dentro da escola e levando a escola para além de
seus muros, em tempo real. E ainda essas tecnologias vão propiciar a
representação da informação em múltiplas linguagens midiáticas de textos, imagens
estáticas ou em movimentos e sons. Afirma ainda que as escolas, ainda que
didaticamente avançadas, serão incompletas se não estiverem conectadas, oferecendo
à sua clientela o acesso à informação on-line, à pesquisa em banco de dados; o
acesso às bibliotecas digitais e portais educacionais. E ainda será incompleta
por não propiciar a participação de seus estudantes em comunidades de
interesse, debates e publicações on-line (UNIVERSIDADE, 2001c).
E
para Moran (2005), confinar 40 alunos de educação básica todas as manhãs ou
tardes com aulas de 50 minutos sucessivas é anacrônico, contraproducente e
revela extrema incompetência institucional.
E Moran (2010) reforça ainda que continuamos prendendo os alunos pela
força e os mantemos confinados em espaços barulhentos, sufocantes, apertados e
fazendo atividades pouco atraentes.
Em
termos de conceituação, Christian Crumlish (1997, p. 129) explica que
"internet é o termo usado para designar a rede mundial de informação ou o
conglomerado de todos os computadores e redes passíveis de serem alcançados através
de endereços eletrônicos."
Na prática vamos encontrar na
internet sites pessoais, sites de busca, portais educacionais, blogs, flogs,
vlogs, serviço de correio eletrônico, chats, videoconferências. A internet é a
mídia que mais proporciona a interatividade, ou seja, “a disposição ou predisposição para mais
interação, para uma hiper-interação, para bidirecionalidade (fusão
emissão-recepção), para participação e intervenção” (SILVA, 1998, p. 29). E
nesse espaço são veiculadas informações e disponibilizados recursos para a
comunicação, através da escrita, da voz e da imagem, estática ou em movimento.
Além dessas propriedades, na internet estão reunidas mídias impressas e
eletrônicas, como jornal, revista, rádio, televisão, telefone.
Também
é importante detalhar os conceitos de internet discada, internet banda larga, e
sistema wireless. A internet discada acontece através da conexão por linha
comutada ou dial up, também conhecida como banda estreita. É uma internet mais
lenta em relação à banda larga. A banda larga é uma internet com maior
velocidade, e acontece através de cabo, satélite ou rádio. Sobre a tecnologia wireless, de acordo com a
Oficina da Net (2008), é a tecnologia sem fios, que permite a conexão entre
diferentes pontos sem a necessidade de uso de cabos, pois usa ondas eletromagnéticas.
Uma
vez trazidas as principais referências que foram ponto de partida para esta
pesquisa, bem como introduzidos alguns conceitos básicos, vale a pena retomar a
preocupação central deste trabalho. É preciso pensar no uso da internet no
interior das escolas, pois essa é a mídia com maior potencial de interatividade
e nela estão contidas todas as outras mídias. A internet possibilita a
circulação de significados, a organização e arquivamento de saberes que
servirão para a construção de novos conhecimentos, o que constitui o objeto das
preocupações desta pesquisa monográfica.
CAPÍTULO II – METODOLOGIA
Primeiramente,
a pesquisa foi de feição teórica, quando se buscou ampliar o conhecimento sobre
o objeto, utilizando fundamentalmente recursos bibliográficos e materiais de
referência, como livros, artigos, páginas da internet, filmes, vídeos e
reportagens. Em um segundo momento, iniciou-se uma pesquisa de campo, que teve
como instrumento de coleta de dados um questionário. À luz das leituras, as
respostas serviram de subsídio para verificar se a escola sozinha é capaz ou
não de acompanhar de forma adequada as questões tecnológicas, informacionais e
comunicacionais, pergunta que emergiu no decorrer da pesquisa. Fez-se o
delineamento do tema, coletou-se dados através de textos e do questionário e
entrevista, e em seguida houve uma descrição analítica dos dados, antes da
conclusão.
Dessa
maneira distribuiu-se um questionário sobre o uso da internet nas escolas:
PESQUISA
O uso da internet nas escolas
Escola
( ) Estadual
( ) Municipal
( ) Particular
Nível de
ensino
( ) Ensino Fundamental
( ) Ensino Médio
Internet disponível
na escola
( ) Discada
( ) Banda Larga
( ) Não tem
Local da
internet
( ) Laboratório de informática
( ) Sala de aula
( ) Wireless disponível para usar em qualquer
tempo e espaço dentro da escola
( ) Wireless disponível em tempo e espaço
restrito dentro da escola
Acesso à
internet na escola
Professores
( ) Acesso irrestrito
( ) Acesso irrestrito, porém pouco tempo
disponível para acessar no horário de trabalho
( ) Pouca oportunidade de acesso
Alunos
( ) Acesso irrestrito
( ) diariamente
( ) semanalmente
( ) mensalmente
( ) esporadicamente
Esse
questionário foi distribuído de maneira aleatória, para estudantes e
professores da educação básica de escolas da rede privada e das redes públicas
municipal e estadual, todas pertencentes à região metropolitana de Belo Horizonte.
Foram distribuídos 50 questionários, dos quais 35 voltaram respondidos, incluídos
aí os municípios de Belo Horizonte, Sabará, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e
Vespasiano. Os inquiridos informaram sobre a escola e responderam sobre as
condições técnicas da internet oferecida, quanto à velocidade, se discada ou banda
larga, a fio ou sem fio. Depois responderam sobre o tempo e o espaço disponível
na escola: se há um laboratório de informática ou se esses recursos estão
disponíveis em sala de aula ou em todo o ambiente escolar através do sistema wireless.
E as últimas questões foram afetas à oportunidade de utilização da internet
pelos professores e pelos estudantes dentro do tempo e do espaço escolar. Esses
questionários foram respondidos no período de outubro e novembro de 2011.
Ao
se elaborar o questionário houve a preocupação em focar como está acontecendo o
uso da internet nas escolas públicas e particulares no ensino básico. Há
argumentos que defendem que as tecnologias da comunicação e da informação estão
contribuindo para aumentar o fosso entre os incluídos e os excluídos social e
culturalmente, e esse levantamento poderia vir a confirmar ou refutar essa hipótese.
Daí
questionou-se sobre o tipo de internet disponível na escola, se discada, banda
larga ou mesmo a ausência desse recurso didático-pedagógico, com a preocupação
de levantar dados sobre a qualidade da implantação desse projeto educacional
nas escolas.
E
tendo em vista a era das conexões em que vivemos atualmente, preocupou-se em
localizar no tempo e no espaço o uso do recurso da internet no âmbito escolar,
indagando qual a amplitude do projeto.
E,
por fim, a indagação recaiu sobre o grau de acesso do recurso da internet pelos
professores e pelos estudantes, uma vez que de nada adianta ter a banda larga
disponível todo o tempo em todo o espaço escolar, se professores e alunos não
tiverem oportunidade de um acesso irrestrito a esse meio educativo.
A
tabulação desse material e a elaboração de gráficos puderam reafirmar as hipóteses
levantadas.
Além
dos dados advindos do questionário, buscou-se aprofundar no conhecimento do
fenômeno das mídias na educação, através de interpretações de conceitos e
teorias dos autores selecionados, procurando compreender a lógica dos fatos
contextualizados, numa valorização de todo o processo da pesquisa, e não apenas
no resultado final. Como dito, há nessa pesquisa também um aspecto teórico, com
o objetivo de contribuir para a reconstrução de ideias no campo educacional no
que diz respeito às questões informacionais e comunicacionais, aprimorando
fundamentos e criando condições para uma intervenção propositiva.
Após
esse questionário, outra questão se delineou, o que merecia uma entrevista: com
qual frequência os profissionais da educação, tais como, diretores,
vice-diretores, supervisores e professores fazem uso da internet no dia a dia,
e qual a opinião desses educadores a respeito do uso da internet como recurso pedagógico
pelos professores e alunos da educação básica?
Segue o modelo da entrevista:
ENTREVISTA
Entrevista
feita a diretores, vice-diretores, supervisores e professores da educação
básica, da região metropolitana de Belo Horizonte – MG, no período de 13 a 16 de fevereiro de 2012.
Qual a função
que exerce no momento?
( ) diretor(a)
( ) vice-diretor(a)
( ) supervisor(a)
( ) professor(a)
Com que
frequência faz uso da internet em seu dia a dia?
( ) diariamente
( ) semanalmente
( ) esporadicamente
Escreva, em
poucas palavras, a sua opinião a respeito do uso da internet como recurso
pedagógico, pelos professores e estudantes dentro do espaço escolar.
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Os resultados obtidos com esses
instrumentos e as reflexões decorrentes serão detalhados no capítulo seguinte.
CAPÍTULO III – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
Foram distribuídos 50 questionários
com questões fechadas, de forma aleatória, a professores e estudantes da rede
pública e da rede privada de ensino da região metropolitana de Belo Horizonte -
MG, do ensino fundamental e médio. Desses 50 questionários, 35 retornaram para
tabulação, e o resultado será apresentado a seguir.
Quando
se indagou sobre o tipo internet disponível na escola, segundo a velocidade, 3
responderam que discada, 29 banda larga, 1 não tem e 2 não souberam responder.
Pôde-se notar que a internet banda
larga está de maneira bastante significativa fazendo parte do cenário de nossas
escolas. Pela presente pesquisa poucas são as escolas que ainda utilizam a
internet discada e poucas as que ainda não possuem internet.
Esse é um aspecto positivo, pois com
a internet banda larga tem-se melhor acesso a todo conteúdo da rede de uma
maneira mais rápida, o que vem a facilitar tanto o trabalho de pesquisa quanto
o trabalho de publicação de material na rede, possibilitando uma maior
interatividade.
Quando
se indagou sobre o local da internet na escola, obteve-se as seguintes
respostas: 1 na administração, 2 no laboratório, 2 na sala dos professores e 2
na biblioteca, 25 no laboratório de informática; 2 não souberam responder, e 1
disse não ter internet na escola.
Quanto
à localização da internet na escola, a maior parte está na sala de informática.
E apenas 9% possui sistema wireless, sendo 6% com wireless irrestrito no
ambiente escolar, e 3%, com wireless de uso restrito no ambiente escolar.
Há ainda muita concentração da
internet nas salas de informática, quando já deveria, devido à disponibilidade
de conexões, estar em todos os espaços: salas de aula, administração,
biblioteca, quando não em acesso irrestrito em toda a escola, através do
recurso do wireless.
Quanto
aos professores, 12 deles responderam ter acesso irrestrito à internet na
escola; 15 disseram ter acesso irrestrito, mas pouco tempo para fazê-lo no
horário de trabalho; 1 disse não saber; 6 dizem ter pouca oportunidade de
acesso na escola, incluindo aqui aquele que não soube responder; e 1 diz não
ter acesso.
Dos 35 professores, 15 deles, o que significa 43% do montante, têm acesso irrestrito à internet no ambiente escolar, contudo pouco tempo para acessar no horário de trabalho. 34% dizem ter acesso irrestrito. E 20% dos professores está entre aqueles que têm pouca oportunidade de acesso dentro da escola, ou não têm nenhum acesso no ambiente escolar.
Dos 35 professores, 15 deles, o que significa 43% do montante, têm acesso irrestrito à internet no ambiente escolar, contudo pouco tempo para acessar no horário de trabalho. 34% dizem ter acesso irrestrito. E 20% dos professores está entre aqueles que têm pouca oportunidade de acesso dentro da escola, ou não têm nenhum acesso no ambiente escolar.
Por essa amostragem, parece ser
muito pouca a possibilidade de acesso dos professores à internet nas escolas.
Uma vez que a internet fica geralmente concentrada na sala de informática, o
professor, com seu pouco tempo fora da sala de aula, não terá muita
disponibilidade para utilizá-la. E para podermos usufruir de todo o potencial
da internet é preciso que tenhamos possibilidade de acessá-la no momento em que
necessitamos de certos dados ou informações, pois a dinâmica do conhecimento
hoje é tamanha que no próximo momento outros dados ou informações serão
necessárias para a construção do conhecimento. Não dá mais para deixar para depois
o sanar de determinadas dúvidas.
No que diz respeito aos alunos, 5
dizem ter acesso à internet diariamente; 14 dizem ter acesso esporadicamente; 2
dizem ter acesso irrestrito; 1, mensalmente; 5 não têm acesso; e 8 dizem que o
acesso é semanal.
Dos alunos entrevistados 54% têm acesso à internet esporadicamente, ou não têm acesso, 23% dizem ter acesso semanalmente, 14% diariamente, 3% mensalmente, e apenas 6% possuem oportunidade de acesso irrestrito dentro do espaço escolar.
É muito triste a situação de nossos
estudantes que não possuem o recurso da internet em casa, aqueles que dependem
do acesso a essa mídia somente na escola, pois nunca poderão competir com os
jovens que têm acesso a esse recurso de maneira mais efetiva, tanto no que diz
respeito à navegabilidade pura e simples, ou ao que diz respeito à facilidade
de acesso a dados e informações. Nunca poderão desenvolver da mesma forma a
comunicação em seus aspectos escritos ou no campo da imagem. Como não terão
também a oportunidade de poderem desenvolver o raciocínio lógico ou mesmo a
intuição que a internet possibilita através de sua dinâmica, e também através
de jogos nela disponível. Para Klering e Arcaro (2011), as escolas devem se
preocupar em formar pessoas aptas a viver e participar ativamente dessa nova
sociedade, capazes de competir por uma vaga no mercado de trabalho em condições
de igualdade com outros candidatos.
Quanto
à disponibilidade da internet através do sistema wireless, 5 escolas
disponibilizam de maneira irrestrita, 7 disponibilizam de maneira restrita, e
23 escolas não possuem.
Mais
da metade das escolas entrevistadas não possui wireless, 20% possui de forma
restrita, e apenas 14% oferece de maneira irrestrita.
É
muito pequeno o número de escolas com wireless, e menor ainda aquelas que
oferecem em tempo e espaços irrestritos esse recurso, em plena era da
conectividade. A educação escolar tem seu fundamento no erro e no acerto, ao
invés de valorizar a hipótese. Daí a escola com medo de errar, vive no reacionarismo,
e este é o seu grande erro, pois não acompanha o desenvolvimento da sociedade.
A escola está sempre aquém do tempo contemporâneo.
Bittencourt
(2003) chama a atenção quanto à necessidade de se questionar o lugar social da
escola. E temos que concordar com a autora quando ela diz que o papel da escola
continua sendo o de selecionar, classificar, distinguir e hierarquizar. E
Santos (2003) nos chama a atenção para a necessidade de a escola romper com a
dinâmica da sociedade industrial, em que todos devem seguir os mesmos
interesses no mesmo ritmo. E como diz o autor, o currículo tradicional, com seu
ritmo e seus rituais, tem causado desinteresse pela escola, tanto por parte dos
estudantes como por parte dos professores.
Quanto
ao resultado das entrevistas pode-se assim descrever, diretores,
vice-diretores, supervisores e professores, em um total de 10 profissionais da educação,
da região metropolitana de Belo Horizonte MG, indagados com que frequência
fazem uso da internet no dia a dia, responderam: 4 diariamente e 4 semanalmente;
os outros dois não devolveram a entrevista. Todos os que responderam são de
opinião de que é importante o uso da internet como recurso pedagógico, tanto
pelos professores como pelos estudantes, dentro do espaço escolar, ou por ser
atraente e prender a atenção dos estudantes, ou por servir de suporte a todos,
auxiliando a pesquisa de maneira prática e atualizada.
É
o que nos dizem Klering e Arcaro (2011) quando se referem à internet como uma
grande biblioteca, onde se encontra enorme variedade de assuntos, que pode
estimular o desenvolvimento das capacidades de criação, questionamento, seleção
de informações e solução para problemas propostos. Um dos entrevistados
preocupa-se com a questão da veracidade dos conteúdos veiculados na mídia
internet. E fica clara a opinião de que o conhecimento deva ser atrelado às
tecnologias, tornando a educação mais atrativa e prazerosa para os alunos.
Outros
afirmam que a internet facilita a realização de mudanças positivas nos métodos
e processos escolares, mas necessita de um preparo dos docentes e alunos, além
dos equipamentos utilizados nas escolas. Da mesma opinião é a professora que
diz que é um excelente recurso quando bem direcionada, pois é um instrumento de
múltiplas possibilidades, mas também de fácil dispersão pelas inúmeras fontes
de entretenimento. Na fala de uma das professoras “a internet contribui para o
desenvolvimento de diferentes habilidades, com textos e imagens variadas,
atualizações de informações que auxiliam na construção de conceitos,
favorecendo a amplidão e troca de ideias na prática cotidiana”. Pode-se notar
na fala de alguns educadores entrevistados uma preocupação com o preparo dos
docentes, e a preocupação com a dispersão com o entretenimento, como se esse
preparo não pudesse ser feito com a utilização da internet no dia a dia, e como
se o entretenimento não pudesse também ser usado como um recurso educativo. Os
educadores destacaram ainda o grande auxílio da internet ao trabalho pedagógico,
tanto na disponibilidade de material didático quanto na questão de atualização
permanente do professor.
Assim
sendo, pode-se constatar, através dessa pesquisa por amostragem, de maneira
aleatória, que as escolas estão utilizando a banda larga, o que é um ponto
positivo, pois esta dá condições de um acesso mais ágil aos dados e às informações,
assim como faz com que a comunicação possa fluir sem grandes dificuldades em
tempo real. E ainda se pode, com a internet banda larga, ter um melhor acesso a
sites de layout mais sofisticados, e a downloads e uploads de textos, imagens
estáticas e em movimento, e sons. Esse recurso vai otimizar a navegação pela
internet, que favorece de maneira significativa a pesquisa e a comunicação.
É papel do governo, através de
políticas públicas, fazer com que a banda larga seja uma realidade em todas as
escolas brasileiras, dando aos professores e estudantes condições de um acesso
pleno a essa mídia com tantos recursos educativos.
Nota-se que a internet no ambiente
escolar ainda está centrada na sala de informática, e que esse espaço não é de
tão fácil acesso nem aos professores e nem aos estudantes. São poucas as
escolas que possuem a tecnologia wireless em tempo e espaços irrestritos. E
para que se possa usufruir de todos os recursos que essa mídia nos possibilita
é preciso que ela se faça presente em todos os espaços escolares, dando suporte
em tempo real ao administrativo, ao pedagógico e ao didático.
O
uso da internet como recurso pedagógico, tanto pelos professores como pelos
estudantes dentro do espaço escolar, é de real importância na opinião dos
profissionais da educação, por ser atraente e prender a atenção das crianças e
dos jovens, e por servir de suporte a todos os professores, supervisores e estudantes
no ambiente escolar, auxiliando a pesquisa de maneira prática e atualizada. E o
conhecimento atrelado às tecnologias torna a educação mais atrativa e prazerosa
para os alunos. Uma ferramenta que facilita a realização de mudanças positivas
nos métodos e processos escolares, mas que requer um preparo dos docentes e
alunos. É um excelente recurso quando bem direcionada, pois é um instrumento de
múltiplas possibilidades, mas também de fácil dispersão pelas inúmeras fontes
de entretenimento. Na fala de uma das professoras “a internet contribui para o
desenvolvimento de diferentes habilidades, com textos e imagens variadas,
atualizações de informações que auxiliam na construção de conceitos,
favorecendo a amplidão e troca de ideias na prática cotidiana”.
Marinho
e Lobato (2011, s/p), também dizem que “vivemos em uma sociedade fortemente
marcada por tecnologias e por imagens”, e “o computador, às vezes mesmo de
forma invisível, está no cotidiano de cada cidadão”. Pode-se notar na fala de
alguns educadores entrevistados uma preocupação com o preparo dos docentes,
como se esse preparo não se fizesse com o uso coletivo da tecnologia, e a
preocupação com a dispersão com o entretenimento, como se o entretenimento não
pudesse também ser usado como um recurso educativo. A fala desses profissionais
da educação aqui nos remete a Santos (2003, p. 310), em que ele afirma que “os
professores lidam com a internet com uma rigidez que não condiz com a
flexibilidade...”. E esses profissionais vêm confirmar a fala de Klering e
Arcaro (2011, s/p), ao dizerem que “a internet vem ganhando cada vez mais
espaço em nossa sociedade e se faz cada vez mais necessária na educação”.
Ouvem-se vozes que dizem que
primeiro há que se preparar os professores para o uso da internet. Contudo, a
prática de uso da internet é imprescindível. E sabemos que cada um tem os seus
interesses e ritmo próprio, e que há muitos caminhos a se percorrer nesse
espaço cibernético. Claro que há que se promover cursos e palestras, para que
se aponte possibilidades de trabalho com essa mídia no contexto educativo.
Inclusive o compartilhar de experiências entre todos os envolvidos no processo
educacional é de vital importância.
Para
isso é imprescindível que as escolas estejam equipadas satisfatoriamente com a
internet, pois um professor ajuda o outro, em um trabalho colaborativo, um dos
fundamentos da informática. E os professores muito aprenderão com os
estudantes, pois muitos têm mais vivência de navegação na rede que os próprios
professores. Todos juntos num ambiente de aprendizagem colaborativa, aprendendo
a ser usuários. Aqueles que sabem fazer uso da internet, não só acessam dados e
informações, e fazem leitura crítica da mesma, mas também criam hipertextos com
recursos multimídia para publicação na rede, seja com fins pedagógicos,
didáticos ou artísticos. O hipertexto é uma linguagem racional e sensível,
imbuída de tecnologia e arte, e que requer um desprendimento tanto do autor como
do leitor. Não há possibilidade de previsão nenhuma de como o leitor/autor fará
uso da publicação.
Para
além dessas possibilidades, há textos de qualidade na rede, que versam sobre o
trabalho com a internet dentro das escolas, e o trabalho com a internet poderá
levar os professores a procurarem esse material para confirmarem ou refutarem suas
hipóteses e até mesmo para pensarem em novas teorias, buscando compreender e
criando formas inovadoras de utilizar a internet para fins educativos. E essa
mídia multimídia favorece o desenvolvimento da criatividade, pelo seu formato
em rede, não linear, que faz aflorar a intuição.
CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
O objetivo maior desse trabalho foi
o de conhecer a realidade da disponibilidade da internet nas escolas de ensino
básico na região metropolitana de Belo Horizonte – MG. Procurou-se, portanto
saber primeiramente qual tipo de internet, no quesito velocidade, está sendo
usada nessas escolas. Em segundo lugar, onde se localiza em termos físicos essa
internet dentro das escolas. Em terceiro lugar qual é a possibilidade de acesso
à internet que os professores dessas escolas possuem no interior desse espaço.
E finalmente qual a possibilidade de acesso à internet que os estudantes dessas
escolas possuem no interior desse espaço.
O
que se sente, é que falta espaço para a internet nas escolas, uma mídia
imprescindível nos dias de hoje tanto para captar dados e informações atualizadas,
quanto como um canal de comunicação. E nos deparamos com escolas limitadas em
sua disponibilidade dessa mídia, não só aos estudantes, mas também aos
professores. E uma maior disponibilidade da internet aos professores dentro do
espaço escolar poderá fazer com que se quebre essa falta de flexibilidade que
Santos (2003) vai nos apontar. Um professor pode ajudar o outro na quebra dessa
rigidez, a fazer uso desse canal de informação e comunicação com mais naturalidade.
Mesmo os estudantes podem ajudar aos professores, pois muitos deles trazem
ricas vivências com a internet. Santos (2003) afirma que os estudantes lidam
com outras abordagens não lineares, como os jogos eletrônicos, e têm capacidade
para lidar com essa linguagem com mais facilidade. Para Marinho e Lobato
(2011), fora da escola as fontes de informação se multiplicam em grande velocidade,
e a internet é um grande espaço de informação e comunicação, e os jovens
navegam pelo ciberespaço com naturalidade no cotidiano.
Os
professores podem aprender, e muito, com os estudantes no que diz respeito à
internet, e ainda, procurando se informar. Há muitos bons textos na internet
que tratam de forma didática em como utilizar a internet na escola. A disponibilidade
da internet em tempo integral na escola, e tempo para o professor fazer a
leitura de textos que o auxiliem é o quanto basta. Não só a disponibilidade da
internet, não somente os textos. A informática na educação requer teoria e
prática ao mesmo tempo, pois todos estamos construindo nossos conhecimentos
nesse assunto.
Assim
pode-se criar na escola um ambiente de liberdade, criatividade e iniciativa,
através de uma vivência educativa participativa, colaborativa e cooperativa.
Como nos indicam Marinho e Lobato (2011), abre-se a possibilidade de se
construir autores, coautores, produtores e coprodutores, abandonando o modelo
de escola do século XIX em que o professor transmite ensinamentos através da
oralidade e os estudantes são meros copistas. Para Klering e Arcaro (2011), o aprendizado
com a internet deixa de ter um caráter passivo e passa a ser dinâmico e
inovador, favorecendo o raciocínio e a autonomia, que, segundo as autoras, vai
refletir no futuro pessoal e profissional dos jovens.
Enfim,
esses avanços no campo das ciências e das tecnologias provocam revoluções,
mudanças de paradigmas nos campos sociais, econômicos e comunicacionais. E é
responsabilidade de nós educadores revermos esse modelo de escola, em seus
múltiplos aspectos, tanto no que diz respeito ao seu espaço físico e
ferramentas de trabalho, como no aspecto de relacionamento em prol da
humanização do currículo escolar. Um currículo voltado para a autonomia e a criatividade,
visando o autodidatismo, com pessoas capazes de dialogar com o conhecimento, utilizando
os recursos que as mídias oferecem.
Quanto
mais se tiver vivência com essa conectividade de maneira ubíqua, pervasiva e
senciente, mais oportunidade igual estaremos dando aos nossos jovens para que
tenham no futuro condições de igualdade para competir no ingresso no mercado de
trabalho de maneira competente. É preciso que se propicie, portanto, um
ambiente educacional com máquinas conectadas à internet espalhadas por todo o
espaço escolar: salas de aula, biblioteca, laboratório de informática,
laboratório de ciências, direção, supervisão, secretaria escolar. É preciso facilitar
o acesso dessa população escolar a aparatos tecnológicos nômades, portáteis e
sem fios, como notebooks, netbooks, tablets e celulares, com possibilidade de
conexão à internet. E equipar o ambiente escolar com dispositivos de transferência
de dados de máquinas para máquinas como gravadores de Cds, Dvds, bluray. Entradas
USB para pendrives, e ainda sistemas bluetooth e wireless.
Estar-se-á
evitando, dessa forma, que esse fosso da desigualdade social aumente cada vez
mais. Essa educação atual, pobre em recursos tecnológicos, não dá oportunidade
à grande maioria dos já excluídos de incluir-se. A escola conectada poderá
favorecer a inclusão desses jovens no mundo da informação e da comunicação.
E
a internet pode favorecer ainda a democracia participativa, fazendo papel de
esfera pública, quando possibilita a interatividade. E a escola pode usar a internet
não apenas como captação de informações e leitura das mesmas, mas acima de tudo
como instrumento de comunicação dentro dos muros da escola e fora do muro da
escola, com toda a comunidade escolar, favorecendo a reflexão e integração da
escola com a escola e da escola com a família.
O trabalho com a internet pode
facilitar a construção do autodidata, favorecendo a educação e o ensino a
distância, fatores de economia nacional. A aplicação em internet nas escolas
pode ter um retorno a médio prazo tanto qualitativo quanto quantitativo no
tocante à educação, ao letramento e à comunicação, abrindo caminho para a
pesquisa científica, a arte e o desenvolvimento tecnológico.
Necessita-se de políticas públicas
que mantenham e fortaleçam a infraestrutura da comunicação, da informação e da
educação, promovendo a integração social. Não há como desvincular a ciência da
educação, da ciência da informação e da ciência da comunicação, pois o formato
da educação atual exige que saibamos lidar com a diversidade das informações,
acessando, selecionando, sintetizando, e compartilhando os conhecimentos
construídos. Estruturamos e configuramos nossos conhecimentos através das
informações e experimentos, e do compartilhar desses conhecimentos é que se
aperfeiçoará o saber que poderá contribuir para o aperfeiçoamento do saber do
outro e do saber coletivo.
Nós
da educação precisamos estar atentos para esse momento de transição e
transformação. Deslocamo-nos da cultura modernista do cálculo para a cultura
pós-moderna da simulação. Do raciocínio lógico para a intuição que é a capacidade
interior de perceber possibilidades. Esse momento exige de nós a criação de
novos métodos, novas técnicas, novos instrumentos de investigação, novas
crenças e novos valores. Formas inéditas de ver o mundo e de viver no mundo.
Precisamos descondicionar o olhar e entrar em sintonia com a nova ordem e
redesenhar o espaço escolar, nos aspectos físico, curricular e humano.
A
escola precisa repensar o seu tempo, o seu espaço, suas atividades, suas
relações, a sua estrutura física e organizacional. E isso faz tempo que falamos
e ouvimos falar, e muito pouco se tem feito nesse sentido. Passa-se horas de em
reuniões administrativas e pedagógicas discutindo disciplina, métodos e
técnicas de ensino, preocupa-se mais com questões morais que éticas. Não se
fala em desmontar a estrutura espacial e organizacional, em prol de um ambiente
mais flexível, produtivo e eficiente. Preocupa-se muito mais com cumprimento de
horários, mesmo que isso nada signifique para uma melhor qualidade do ensino,
do que com cumprimento de metas. Não se toca nessa estrutura arraigada estabelecida
na idade média. E a escola continua selecionando, excluindo, embora o seu
discurso seja de inclusão social. Mudou o discurso e a prática continuou a mesma.
Para que essa inclusão aconteça,
faz-se necessária uma aprendizagem significativa, com participação ativa de
todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. O professor, um
mediador do processo, aquele que está atento às necessidades dos estudantes,
sugerindo-lhes caminhos na construção do conhecimento. É papel do professor
mediar processos de construção de saberes e competências contribuindo para o
florescer de seres autônomos, independentes, autodidatas. Para tanto,
precisa-se de professores com habilidades de autoria, inovadores e audaciosos,
capazes de transformar a infraestrutura da comunidade em que atua através da
consciência crítica de seus moradores, fazendo-os refletir sobre o seu entorno,
seus direitos e deveres de cidadãos para uma melhor qualidade de vida para
todos.
O
papel da escola é o da reflexão (e esse é um fundamento socrático), a ação fica
por conta da população que terá capacidade, dessa forma, de dialogar e
negociar, de forma comprometida, participando ativamente das tomadas de decisões.
E basta conseguir esse feito com uma geração, para que essa mentalidade seja
potencializada e propagada para as outras gerações. Precisa-se de uma aprendizagem
significativa agora, para que se possa internalizá-la e fazer uso em seu contexto
social. E nesse particular a internet poderá auxiliar muito.
Os estudantes precisam saber fazer
levantamento de material necessário para sua pesquisa, selecionar esse material
levantado, sintetizar esse material em um texto e, acima de tudo saber compartilhar
esse seu conhecimento construído usando os mais diversos recursos da ciência,
da arte e da tecnologia para que o ensino atenda os campos cognitivo, afetivo e
social. E para tal o professor tem que ter todas essas competências para poder
orientar com precisão. O trabalho com projetos envolvendo as mídias e as
tecnologias pode ajudar nesse processo. E poder-se-á dessa maneira trabalhar
sistematicamente de forma presencial, a distância e semi-presencial, primando
pela interatividade em quaisquer das modalidades.
O
material multimídia apresenta-se em uma linguagem que exige raciocínios
dedutivos, indutivos e intuitivos, pois é um material polimórfico, polivalente
e polissêmico que requer sensibilidade para diferentes leituras, interpretações
e percepções das complexas imagens, cenas, narrativas, significados e mensagens,
favorecendo sempre a busca de uma autonomia crítica, de indivíduos que se
preocupam uns com os outros, se envolvem em questões sociais e trabalham juntos
para construir uma sociedade mais igualitária e menos opressiva, buscando
soluções para a brutalidade policial, a desigualdade de recursos educacionais,
as más condições habitacionais e de saúde pública, a corrupção, etc. Para uma
sociedade democrática menos opressiva e mais igualitária.
Assim,
é incumbência da escola ampliar o conceito de letramento, trazendo para dentro
de seu ambiente os dados e as informações que circulam na internet, em seus
múltiplos formatos. Da mesma forma que a interação transmuta em interatividade,
o reflexo em reflexão, a universalidade com totalização, idéias generalizadas,
em universalidade sem totalização, idéias abertas a negociação. O espectador e
o cliente transformam-se em usuários, e o consumidor em cidadão.
A
competição dá lugar à colaboração e à cooperação. O ser passivo torna-se ativo,
criativo e participativo. A mídia torna-se multimídia. Da informação unilateral
e bilateral, a informação multilateral, a ampliação da possibilidade de comunicação
através da conectividade. O texto agora é hipertexto. O mundo vai pouco a pouco
se tornando transparente, as relações verticalizadas se horizontalizam, a
estrutura piramidal se transmuta em teia que favorece a desconcentração do poder.
Caem os modelos ditatoriais e o autoritarismo é substituído pela negociação de
maneira desideologizada. As disciplinas estanques, que viviam fechadas em si
mesmas, buscam a interdisciplinaridade. Ser alfabetizado já não é suficiente, é
preciso ser letrado e comunicar-se com fluência em um ambiente multimídia, fazendo
florescer a liberdade de expressão que dá lugar ao respeito à diversidade
cultural e a multiformidade, contribuindo para o fim da opressão, do moralismo
e dos tabus. Na educação o foco deixa de ser a sala de aula para cair sobre a comunidade
escolar, a pedagogia de eventos dá lugar à pedagogia de projetos. O cálculo dá
lugar à simulação, o raciocínio lógico à intuição. Se antes vivíamos a
“certeza”, hoje vivemos a dúvida. Os partidos políticos dão lugar às ONGs. O
voto já não é mais a única forma de participação.
Esses
recursos utilizados de maneira consciente dentro das escolas poderão
possibilitar que o trabalho escolar aconteça em tempo real, e tenha, portanto,
um sentido de verdade, privilegiando a reflexão e o senso crítico e criativo
dos estudantes e professores. Em educação, informação e comunicação, a preocupação
primordial é que tenhamos o cuidado para que essas tecnologias e essas mídias
todas estejam a serviço da democracia participativa e da integração social.
Para a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual, precisamos de
pessoas autônomas e libertas.
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