Pesquisar este blog

sábado, 24 de setembro de 2011

EDUCAÇÃO&COMUNICAÇÃO


Janeiro/2002

“Não há nada mais suave e nem
 mais profundo que um toque”.

O Ministério da Educação no Brasil já esteve ligado ao Ministério da Saúde, da Cultura, e hoje está ligado ao Ministério dos Desportos. Em breve deveremos estar ligados ao Ministério das Comunicações.
 educação hoje precisa estar atenta, tomando cuidado, para não se separar o corpo da mente, o sensorial do racional, o lógico do intuitivo, o concreto do abstrato e o visual do impresso, buscando educar dentro de uma visão de totalidade, de pessoas inteiras. Cabe ao educador ser ele mesmo e ajudar os outros a também serem.
O conhecimento, sabemos hoje, não é fragmentado, mas interdependente, interligado, intersensorial. Conhecer significa compreender todas as dimensões da realidade, captar e expressar essa totalidade de forma cada vez mais ampla e integral, através dos sentidos: o toque, a comunicação corporal, os vários ritmos, os vários olhares, os vários sons.
Howard Gardner em seu livro “Estruturas da Mente” vai nos mostrar que temos várias habilidades a serem desenvolvidas e cada um, individualmente, desenvolve mais umas e menos outras. Desta forma ele classifica essas “inteligências” como lingüísticas,  lógico-matemática, espacial – que é a capacidade de pensar com imagens, que é a memória visual, musical, cinetésico-corporal, que processa melhor a informação através do movimento e do toque. São aqueles que não conseguem ficar muito tempo sentados e aprendem melhor movimentando-se, tocando ou mexendo nas coisas.
Todos temos os mesmos instrumentos para chegar ao conhecimento, cada qual a seu modo. Contudo todos partem do concreto, do sensível, do analógico na direção do conceitual, do abstrato. E os caminhos para o conhecimento através do sensorial se cruzam com os da intuição que é o caminho da descoberta, das conexões inesperadas, das junções, das superposições, da navegação não linear, da capacidade de maravilhar-se, do aprofundamento do conhecimento psíquico, de formas de comunicação menos conscientes. O caminho da intuição é um caminho agradável, imprevisível, atraente, propício a descobertas. Muitas vezes confuso, irracional e ilógico. Enquanto que  o conhecimento racional exige concentração, o conhecimento intuitivo exige relaxamento. O afetivo está também ligado ao sensorial e ao intuitivo e se manifesta no clima do acolhimento, de empatia, inclinação, desejo, gosto, paixão, ternura, compreensão para consigo mesmo e para com os outros ou para com o objeto do conhecimento. O afetivo contribui para dinamizar as interações, as trocas, a busca e os resultados. Facilita a comunicação, toca os participantes e promove a união.
Através do racional organizamos, sistematizamos, hierarquizamos, priorizamos, relacionamos, seqüencializamos e causalizamos os dados que nos chegam de forma caótica, dispersa e ininteligível. É ele que nos possibilita explicar, contextualizar e aprofundar as dimensões sensoriais e intuitivas.
Aí está a força da televisão e do vídeo que combinam a multiplicidade de imagens e ritmos, com uma variedade de falas, músicas, sons, textos escritos. Essa combinação de linguagens sacode o cérebro, atingindo o sensorial, o afetivo e o racional. A imagem nos toca, a música nos comove, a narração emociona, o ritmo entretém. Todos os sentidos são acionados e nosso ser é atingido.
A educação precisa estabelecer pontes entre os meios de comunicação e a escola, promovendo a leitura crítica dos meios de comunicação nas diversas áreas do conhecimento, fazendo uma análise tanto do ponto de vista estético como de conteúdo, respeitando a diversidade cultural e ressaltando o que é ideológico.

  

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Interferências dos Meios de Comunicação 
no Nosso Conhecimento

José Manuel Moran 
Professor de Novas Tecnologias 
Artigo publicado na Revista INTERCOM - Revista Brasileira de Comunicação
São Paulo,Vol. XVII, n.2, Julho/Dezembro de 1994

 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério  das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Professor Facilitador pelo PROINFO – MEC.

DISLEXIA


Janeiro/2004
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) a dislexia vem a ser “um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração”. É uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico, não é resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência.  
É uma dificuldade acentuada que ocorre no processo de leitura, escrita e ortografia. É um distúrbio e não uma doença, que se torna evidente na época da alfabetização. Apesar de instrução convencional, inteligência adequada e oportunidade sócio cultural e sem distúrbios cognitivos fundamentais, a criança falha no processo da aquisição da linguagem. A dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e culturais. 
É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Cerca de 10 a 15% da população mundial é disléxica.  
São sintomas da dislexia:  
     Na pré-escola 
- Imaturidade no trato com outras crianças.
- Fraco desenvolvimento da atenção.
- Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem.
- Atraso no desenvolvimento visual.
- Dificuldade em aprender rimas e canções.
- Fraco desenvolvimento da coordenação motora.
- Dificuldade com quebra-cabeças.
- Falta de interesse por livros impressos
Na idade escolar: 
- Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita.
- Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras).
- Desatenção e dispersão.
- Dificuldade em copiar de livros ou da lousa.
- Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.).
- Desorganização geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares.
- Dificuldades visuais, como por exemplo, podemos, perceber com certo impacto, a desordem dos trabalhos no papel e a própria postura da cabeça ao escrever.
- Confusão entre direita e esquerda.
- Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc..
- Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas.
- Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc..
- Dificuldade em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, etc..
- Dificuldade na matemática e desenho geométrico.
- Problemas de conduta como: retração, timidez excessiva, depressão, e menos comum, mas também possível, tornar-se o "palhaço" da turma. 
Contudo o disléxico tem grande desempenho em provas orais, é capaz de contornar as dificuldades e de responder bem a tudo que passa para o concreto, ele assimila muito bem tudo que é vivenciado concretamente. Tudo o que envolve os sentidos é mais facilmente absorvido. O disléxico tem uma dificuldade, não uma impossibilidade. Devidamente acompanhado ele vai paulatinamente superando ou contornando suas dificuldades. A principal característica dos disléxicos é a dificuldade da relação entre a letra e o som (fonema-grafema), talvez o método fônico possa ajudar. Devemos também treinar a memória imediata, a percepção visual e auditiva. E é importante se utilizar ao máximo todos os sentidos, como ler e ouvir enquanto se escreve.  
O fato de se apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente caso de deslexia, há outros fatores a serem observados, e diagnosticados por uma equipe multidisciplinar. Se não houver um acompanhamento adequado os sintomas persistirão na fase adulta, com prejuízos emocionais e sociais.
 
Precisamos ter o cuidado de antes haver uma averiguação se não é caso de lesão, síndrome, ou mesmo um simples problema de vista ou de audição. Precisamos verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. 
Para Shirley R. Batil leitura lenta é um traço de dislexia que freqüentemente persiste até a idade adulta. A leitura oral repetida, 15 minutos durante o dia escolar, pode ser um método eficiente para desenvolver a fluência da leitura. Deve-se escolher uma hora em que o estudante esteja bem relaxado e alerta.

Maria Angela Nogueira Nico vai dizer que falar, ouvir, ler e escrever são atividades da linguagem. Falar e ouvir são atividades com fundamentos biológicos e a criança aprende a usar a linguagem falada com grande velocidade dependendo do meio ambiente, do trato vocal da organização do cérebro e da sensibilidade perceptual para falar os sons. A linguagem escrita ela adquire em parte inventada e em parte descoberta. Inventada, porque se criou símbolos visuais (grafemas = letras) para representar elementos da linguagem, e  descoberta, porque esses elementos serão reconhecidos na linguagem falada (relação grafema / fonemas = sons das letras).
Para a referida autora o ato de ler não depende somente da segmentação fonêmica (reconhecer sons e símbolos). A segmentação fonêmica é necessária, mas não é suficiente para formar um bom leitor. A criança além de descobrir que uma palavra é composta por sons significantes precisa também aprender a identificá-los, e acima de tudo para adquirir a habilidade da leitura e da escrita precisa automatizar essa função e desenvolver a capacidade de síntese, que é a interpretação. Quando há dislexia a leitura lenta, trabalhosa e individual de palavras impede o desenvolvimento da habilidade da criança, adolescente ou adulto de compreender o que leu ou escreveu, ainda que a sua capacidade de compreensão da língua falada seja adequada. Para a autora os métodos de alfabetização como o Global facilita a identificação mais rápida da dislexia. Os métodos sintéticos e fônicos permitem que alguns casos passem mais tempo desapercebidos. E ela afirma que o sucesso na reeducação de um disléxico está baseado numa terapia multisensorial que significa aprender pelo uso de todos os sentidos, ou seja, combinando visão, audição, e tato para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras.

”O disléxico precisa olhar atentamente, ouvir atentamente, atentar aos movimentos da mão quando escreve e prestar atenção aos movimentos da boca quando fala. Assim sendo, a criança disléxica associará a forma escrita de uma letra tanto com seu som como com os movimentos da mão para escrevê-la. O aprendizado deve ser feito de forma sistemática e cumulativa. Sendo ainda cada caso um caso específico, devem ser levadas em consideração as particularidades de cada um”. (NICO)
 Segundo a autora as escolas mais modernas e os teóricos mais atualizados em lingüística afirmam que o fenômeno da linguagem escrita não é a transição da linguagem oral. Ela tem suas próprias seqüências e deve ser adquirida como uma nova linguagem; antes de tudo, com aspectos semânticos enfatizados e não como simples decodificação e codificação, que requerem síntese e análise visual e auditiva, assim como discriminação temporo-espacial.
Áurea Maria Stavale Gonçalves vai dizer que a criança disléxica é considerada pelos professores, antes do diagnóstico como desatentas, para os pais elas são preguiçosas e o aluno acaba por se considerar “burro”. Preguiçoso, desligado, desorganizado são adjetivos que costumam acompanhar o disléxico. Vive assim vítima de múltiplos insucessos e com sua auto-estima bastante rebaixada, com dificuldade de leitura e escrita, letra ruim, troca de letras, lentidão. Os disléxicos geralmente têm uma inteligência acima da média, enxergam bem, ouvem bem, expressam-se com fluência oralmente e seu padrão escolar não combina com seu padrão geral de atuação.

Para a autora acima citada é muito comum essa disfunção ser percebida na 5ª série quando aparecem as múltiplas exigências de diferentes professores e sua desorganização e dificuldade na leitura e expressão escrita ficam muito evidentes. É preciso buscar os talentos escondidos dessas crianças e ajudá-las a descobrir modos compensatórios de aprender, como jogos, leituras compartilhadas, atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção. Só assim ela poderá perceber-se capaz de produzir e avançar no seu processo de aprendizagem, resgatando a sua auto-estima. Não se pode esquecer que esse trabalho se faz em parceria com os pais e a escola, sob orientação da equipe psicopedagógica.

Para finalizar citaremos para efeito de ilustração alguns disléxicos segundo a ABD: Hans Christian Anderson, Francis Bacon, Lewis Carroll, Agatha Christie, Charles Darwin, Walt Disney, Thomas A. Edison, Albert Einstein, Michelangelo, Pablo Picasso, Vincent Van Gogh, entre tantos outros.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

.
 BATI, Shirley R. Treinamento de fluência de leitura em estudantes com dislexia severa a moderada.
GONÇALVES**, Áurea Maria Stavale. A criança disléxica e a clínica psicopedagógica.
NICO, Maria Angela Nogueira*. Dislexia.
NICO, Maria Angela Nogueira. Métodos de alfabetização e a dislexia.

Sites acessados em 20 de janeiro de 2004.

*Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica; Diretora e Coordenadora Técnica e Científica da ABD
**Psicóloga e Psicopedagoga, Profissional Voluntária do CAE

 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1. e 2. graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2. grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO - MEC - NTE - MG-2

CURRÍCULO E PARTICIPAÇÃO


Abril/2003

"Por que não avançamos na transformação
do nosso trabalho? O que precisa mudar
no dia-a-dia da escola?"
APEOESP[2]

A autora inicia seu artigo afirmando que a elaboração e implementação curriculares devem contar com a efetiva participação de docentes de vários graus, níveis e modalidades de ensino, em todas as disciplinas e séries, de forma integrada. O currículo para ela consiste na seleção, seqüenciação e dosagem de conteúdos da cultura a serem desenvolvidos em situações de ensino-aprendizagem. São expressos neste documento os conhecimentos, as idéias, os hábitos, os valores, as convicções; e ainda as técnicas, os recursos, os artefatos, os procedimentos, os símbolos, etc..., dispostos em conjuntos de matérias/disciplinas escolares e respectivos programas, com indicações de atividades/experiências para a sua consolidação e avaliação.
Assim, esse conjunto de atividades desenvolvidas pela escola por série, grau, nível, modalidade de ensino e respectiva carga curricular, e ainda, os programas que dispõem os conteúdos básicos de cada componente e as indicações metodológicas, técnicas de ensino e recursos empregados para o desenvolvimento das atividades propostas consiste na organização curricular que é a organização do trabalho pedagógico.
Para tanto os professores em geral devem ter, além dos conhecimentos ligados às matérias que lecionam, conhecimentos sobre currículos e programas e sua relação com questões didáticas e as raízes históricas e matrizes teóricas das concepções de educação escolar que embasam as propostas curriculares, pois estes, para a autora são fundamentos básicos do trabalho do professor.
Desta forma a escola tem que investir na formação continuada de seu corpo docente, para que haja igualdade de condições nas negociações. Todo professor de qualquer área que seja deve ter uma fundamentação teórica sobre os diversos aspectos constituintes do desenvolvimento do processo pedagógico, domínio das concepções de currículo e suas implicações práticas, visão de conjunto do sistema educacional e acesso às possibilidades de solução. O ensino e a aprendizagem precisam ser vistos nas suas necessidades essenciais, que ultrapassam as paredes da sala de aula e os muros da escola.
O currículo é resultado de negociações, durante processos conflituosos, devido a diversidade de idéias e concepções, inclusive e principalmente na relação pedagógica propriamente dita, no momento em que os professores redefinem a programação, respeitando as peculiaridades de cada turma, e de acordo com as possibilidades e limites dele próprio, de seus alunos e do espaço físico e recursos didáticos e pedagógicos de que dispõe. E tudo de forma flexível para que se possa ir alterando a partir das respostas e solicitações dos discentes.
Construir uma escola pública de qualidade requer infra-estrutura, recursos, autonomia política, administrativa e pedagógica além de uma qualificação satisfatória de seus profissionais, pois são esses profissionais o suporte da ação educativa. É necessário repensarmos a relação da escola com a atual sociedade, o seu funcionamento e a nossa atuação profissional, dentro de uma perspectiva político-pedagógica, tendo em vista que a democratização do ensino é parte da luta pela democratização da sociedade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
APEOESP - REVISTA DA EDUCAÇÃO - Nº 16 (Editorial), MARÇO/2003
Acessado em 27/04/03
SAVIANI[3], Nereide. Currículo – um grande desafio para o professor APEOESP - Revista da Educação - Nº 16,  março/2003.
Acessado em 27/04/03
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1. e 2. graus e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2. grau. Professor facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO - MEC - NTE-MG2
[2] Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo
[3] Doutora em História e Filosofia da Educação PUC/SP e Professora do mestrado em Educação na Universidade Católica de Santos. 

CURRÍCULO E IDENTIDADE SOCIAL


Agosto/2001
Para Tomaz Tadeu o saber não está isento de intenções e efeitos de poder, pois o saber implica necessariamente dominação. Daí afirmar que currículo e poder estão mutuamente implicados. Para ele o poder está inscrito no interior do currículo através das divisões, inclusões/exclusões entre saberes e narrativas e das divisões e inclusões/exclusões no seu interior e das resultantes divisões/exclusões sociais. Aquilo que dividi o currículo, que diz o que é conhecimento e o que não é conhecimento – e aquilo que essa divisão dividi – que estabelece desigualdades entre indivíduos e grupos sociais é o poder. Quais conhecimentos estão incluídos e quais estão excluídos no currículo? Quais grupos sociais estão incluídos e de que forma estão incluídos? E quais os grupos sociais que estão excluídos? Essas divisões e essas inclusões e exclusões é que produzem ou reforçam as divisões sociais de gênero, raça, classe. 
A idéia do autor é que os significados são produzidos e postos em circulação através de relações sociais de poder que atuam no intuito de tornar o mundo governável. É no currículo que o nexo entre representação e poder se realiza e se efetiva. 
O autor afirma que o currículo é a construção de nós mesmos como sujeitos. Ele não está envolvido num processo de transmissão ou de revelação, mas num processo de constituição e de posicionamento: de constituição do indivíduo como um sujeito de um determinado tipo e de seu múltiplo posicionamento no interior das diversas divisões sociais. As narrativas contidas no currículo dizem qual conhecimento é legítimo e qual é ilegítimo, quais formas de conhecimento são válidas e quais não o são, o que é certo e o que é errado, o que é moral e o que é imoral, o que é bom e o que é mau, o que é belo e o que é feio. Quais vozes são autorizadas e quais não são. Quais grupos podem representar a si e aos outros e quais podem apenas ser representados ou mesmo excluídos de qualquer representação. Valoriza algumas formas de vida e de cultura de determinados grupos desvalorizando outras. Contam histórias reafirmando noções particulares sobre gênero, raça, classe. O discurso do currículo autoriza ou desautoriza, legitima ou deslegitima, inclui ou exclui. O currículo, juntamente com muitos outros discursos nos faz ser o que somos. Ele é muito mais que uma questão cognitiva ou uma construção do conhecimento. Ele é a constituição de nós mesmos como sujeitos.
Para o autor identidades sociais e regimes de representação estão intimamente ligados. Os diferentes regimes de representação funcionam como formas de conhecimento que são dependentes das identidades sociais daqueles grupos que os produzem e esses regimes, por sua vez fazem parte do processo de criação e manutenção de identidades sociais. A representação é um processo de produção de significados sociais através dos diferentes discursos. É através dos significados, contidos nestes diferentes discursos, que o mundo social é representado e conhecido de uma forma particular e que o eu é produzido. Essa forma é determinada pelas relações de poder.  
Como exemplo de regulação moral no currículo, podemos citar a não aceitação de comportamentos que não sejam dentro dos padrões ditos “normais” de sexualidade, sempre moldando os impulsos físicos. A defesa do casamento, da família e dos filhos. 
O currículo é constituído de múltiplas narrativas, segundo o autor, pois conta histórias sobre nós e o mundo que nos ajudam a dar sentido. O poder de narrar está estritamente ligado à produção de nossas identidades sociais. As narrativas além de ajudarem a dar sentido ao mundo, contribuem para constituí-lo e a constituir a nós. É através de histórias sobre o passado que podemos dar sentido ao presente e construí-lo, e imaginar um outro futuro. Através das narrativas, identidades hegemônicas são fixadas, formadas e moldadas, mas também contestadas, questionadas e disputadas.

Referência Bibliográfica

 SILVA, Tomaz Tadeu. Currículo e identidade social: outros olhares.

[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Professor facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.

CONTRIBUIR PARA O PROCESSO DEMOCRÁTICO: UM DESAFIO PARA A EDUCAÇÃO


Junho/2000
 “Só existirá democracia no Brasil no dia
em que se montar no país a máquina
que prepara as democracias. Essa
máquina é a escola pública”

O diretor de escola é aquele que faz a articulação política entre a Secretaria de Educação, da qual é representante, os professores, os alunos, pais de alunos e demais funcionários da escola: pessoal da secretaria, serventes, vigias, etc., além de sua preocupação financeira com os gastos diários da escola, da conservação, manutenção e limpeza de prédio, suas dependências e áreas adjacentes, e estar ainda preocupado com todo o material da escola que está sob sua guarda: computadores, televisores, etc.
Há hoje, mais do que nunca, a necessidade da descentralização da figura do diretor, quando as comunidades escolares (e aqui se entenda por comunidade escolar todos os alunos efetivamente matriculados, pais de alunos efetivamente matriculados, professores em exercício e demais funcionários de determinada unidade de ensino) alcançam números aproximados de 6.000 pessoas que direta ou indiretamente influenciam na vida da escola, trazendo consigo seus conflitos, suas expectativas, suas angústias.
Para que esta descentralização acontecesse de fato dever-se-ia primeiro dar mais autonomia ao professor, aspecto fundamental desta proposta, o qual teria o papel de planejar, executar e avaliar suas atividades, além de orientar seus alunos e dar atendimento aos pais dos alunos (fato inclusive que já vem ocorrendo em algumas escolas) rompendo com a divisão do trabalho que só tem contribuído para dificultar soluções de problemas. Para tal necessário se faz uma melhor e mais completa formação do professor, não só nos cursos de Pedagogia e de Licenciatura, mas em serviço, através de encontros, cursos de atualização para que se tenha um embasamento teórico para poder pensar, discutir e chegar a determinadas conclusões. E ainda um melhor salário aos professores e tempo disponível dentro da instituição, fora da sala de aula. Talvez quinze horas semanais em sala de aula e quinze horas semanais em atividades de planejamento, avaliação e orientação aos alunos e atendimento a pais de alunos, além dos momentos de estudos de atualização, pois grande é a falta de embasamento teórico dos profissionais da educação para se discutir legislação do ensino, questões administrativas, pedagógicas e didáticas. Inclusive é de grande importância que todos conheçam as leis que regem a educação para podê-las discutir. E segundo, a formação de um colegiado atuante e com poder de decisão em questões de ordem administrativa e pedagógica, formado de professores eleitos pela comunidade escolar, e com representantes de todos os segmentos da comunidade escolar com o objetivo de articular interesses de todos os envolvidos no processo educativo, promovendo a harmonia democrática, sem necessidade de abafar conflitos que só faz aumentar a violência.
Fica aqui um esboço para fundamentar uma discussão de como poderíamos tentar construir uma estrutura que poderia ser o início do nosso treino de se viver em regime de democracia. E nada mais justo que começarmos este treino por nós mesmos, dentro da instituição, criando conselhos de pais de alunos, conselhos de alunos, rompendo com a palavra grêmio que tomou uma conotação festiva, conselho de professores, conselhos de funcionários, e deixaríamos de falar tanto com nossos alunos em democracia e em cidadania, para podermos experimentar o que seria isso na prática. Penso que vivemos um momento de seriedade na educação, repensando valores, dentro de nossos métodos, técnicas, processos e mecanismos, num descondicionar do olhar, fazendo emergir um novo paradigma para orientar as nossas ações. Livres do autoritarismo e da exploração. É uma ilusão pensarmos que só as ações de professores isoladas poderão transformar a sociedade, porque enquanto um professor faz um discurso em sala de aula toda a escola diz o contrário, e todo o sistema escolar, ou através de silêncios ou de ações concretas. Grande é a responsabilidade da administração escolar na contribuição da transformação social.
Para tanto teríamos, primeiramente, que abrir espaço dentro da escola para o funcionamento destes Conselhos, e deixar fluir a democracia. Formar-se-ia um Conselho de Pais de Alunos, escolhidos entre si em Assembléia Geral de Pais de Alunos, com pais representantes de todos os turnos existentes na escola, um Conselho de Alunos, formado por todos os alunos representantes de classe, um Conselho de Funcionários da Secretaria Escolar e demais setores da escola: serventes, disciplinários, vigias, escolhidos entre si, e um Conselho de Professores, também eleitos entre si, em Assembléia Geral de professores da Unidade de Ensino. Desses conselhos seriam eleitos elementos para compor o Conselho da Escola, com mandato, talvez, de dois anos, formado por pais de alunos efetivamente matriculados, funcionários da secretaria escolar e dos demais setores, e os professores que comporiam este conselho seriam escolhidos em eleição direta pelos diversos segmentos da escola. Dos professores eleitos, seriam indicados, dentro do próprio Conselho de Escola o que exercesse a função de presidente, de vice-presidente e de tesoureiro, com mandato de um ano, podendo ser reeleitos para mais um mandato. O presidente seria representante oficial da unidade de ensino, com a função de presidir reuniões, de desempatar votos, quando ocorresse empate e de assinar documentos. Romperíamos com a figura autoritária que se construiu culturalmente do diretor de escola, e estaríamos avançando em termos democráticos, atribuindo poder a um órgão colegiado, representado por todos os segmentos da comunidade escolar, e não mais a uma só figura. Teríamos que ter o cuidado para que os professores formadores dos Conselhos tivessem um mínimo de aulas para que não perdessem o vínculo com a sala de aula, e com isso a noção de realidade.
No nível de Rede, poderíamos propor a formação de um Conselho de Unidades de Ensino, formado por todos os presidentes de conselhos das escolas. E ainda destes eleger aqueles que comporiam o Conselho Municipal de Educação, com a finalidade de expedir pareceres que amparassem as resoluções expedidas pela Secretaria Municipal de Educação, para as diretrizes gerais do Sistema de Educação. Esta é uma forma possível de se trabalhar a questão da gestão democrática na educação. É o momento de assumirmos a escola pública ou como um “asilo” com vem se tornando para recolher crianças, para os pais poderem trabalhar, e os jovens e adultos para que não fiquem na rua fazendo baderna e perturbando a “ordem”, ou nos propormos a construir um mundo novo, rompendo com as práticas antigas... Com ousadia.
  
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ABRUCIO, F.L. Os avanços e os dilemas do modelo pós-burocrático: a reforma da
      administração pública à luz da experiência internacional. In: BRESSER
      PEREIRA, L.C. & SPINK, P.K. Reforma do Estado e administração pública
     gerencial. 3 ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1999.
AFONSO, A J. Estado, mercado, comunidade e avaliação: esboço para uma 
    Articulação  crítica. Revista Educação e Sociedade, ano XX, n.60. Campinas:
    EDES/UNICAMP, dez.1999.
AGUIAR, M. A - Formação de administradores da educaçãoRelatório final da pesquisa. Brasília: ANPAE, Série Estudos e pesquisas, n.2, 1998
ANTONACCI, M. A M. A vitória da razão: o IDORT e a sociedade paulista. São
       Paulo: Editora Marco Zero/MCT/CNPq, 1993.
ARELARO, L.R.G. A ousadia de fazer acontecer o direito à educação: algumas
       Reflexões sobre a experiência de gestão nas cidades de São Paulo e Diadema. In: OLIVEIRA, D. A & DUARTE, M.R.T. Política e trabalho na escola:
     administração dos sistemas  públicos de educação básica. Belo Horizonte:
     Autêntica, 1999.
ARRIGHI, G. A desigualdade mundial na distribuição de renda e o futuro do
      socialismo. In: SADER, E. (org.) O mundo depois da queda. São Paulo: Paz e
      Terra, 1995 p.85-120.
ARROYO, M.G. Operários e educadores se identificam: que rumos tomará a
     educação brasileira. Educação e Sociedade. Campinas, n.5, p. 5-23, 1980.
____________. Administração da educação é um problema político. RBAE. Porto
      Alegre, 1 (9): 122-8, jan/jun. 1983.
AZEVEDO, F. Os Sistemas escolares. In. PEREIRA & FORACCI, M.M. Educação e
      sociedade:  leituras de sociologia da educação. 13 ed. São Paulo: Nacional,
      1987. P. 138 - 149.
AZEVEDO, J.C. Escola Cidadã: a experiência de Porto Alegre. In: OLIVEIRA, D. A &
      DUARTE, M.R.T. Política e trabalho na escola: administração dos sistemas
     Públicos de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 18 ed. atualizada e
     ampliada. São Paulo: Saraiva, 1998.
___________. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.Lei n. 9.394   
     de  20 dez.1996.
___________. Lei n. 9424/96 - 24/12. 1996. Dispõe sobre o Fundo de  
     Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do 
     Magistério, na forma prevista no art.. 60, ¤ 7¼, do Ato das Disposições
     Constitucionais  Transitórias, e dá outras providências.
___________. Ministério da Educação e do Desporto. Desenvolvimento da
    educação no Brasil. Brasília, 1996.
---------------- Plano Decenal de Educação para Todos. Brasília, 1993.
___________ Plano Nacional de Educação - proposta do Executivo ao
     Congresso  Nacional. Brasília: MEC/INEP, 1998.
BRESSER PEREIRA, L.C. Da administração pública burocrática à gerencial.
      In:________& SPINK, P.K. Reforma do Estado e administração pública
     gerencial. 3 ed.. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1999.
BRUNO, L. Relação de trabalho e teorias administrativas. São Paulo: Revista
     Idéias, n. 16. FDE, 1993.
CALAZANS, M. J. C. planejamento da educação no Brasil - Novas estratégias
      em  busca de  novas concepções. In. KUEZER, A, CALAZANS, M.J.C. &
      GARCIA, W.  Planejamento  e educação no Brasil. São Paulo: Cortez:
      Autores Associados, 1990.
CASTEL, R. As armadilhas da exclusão. In: BELFIORE-WANDERLEY, M.,
      BÓGUS,  L. & YAZBEK, C. Desigualdade e a questão social. São Paulo:
      EDUC, 1997.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. v.1 São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CASTRO, C.M. Educação brasileira: consertos e remendos. Rio de Janeiro:
     Rocco,  1995.
------------------- & CARNOY, M. Como anda a reforma da educação na
      América  Latina?  Rio de Janeiro: FGV, 1997 p. 9-99: A melhoria da   
      educação na  América Latina: e agora, para onde vamos?
CEE/MG. Parecer n. 1132/97 de 13/11/97. Dispõe sobre a Educação Básica, nos
     termos da Lei 9394/96. Minas Gerais, Belo Horizonte, 21.Nov.1997
________. Resolução n. 306/83 de 29/12/83. Fixa normas para criação,
     reorganização e encerramento de atividades de estabelecimentos de ensino
     regular, bem como para autorização de seu funcionamento e para seu
     reconhecimento.
CEPAL/UNESCO. Educación y conocimento: eje de la transformación
     productiva  com equidade. Santiago, 1992.
CHAVES, M.W. A afinidade eletiva entre Anísio Teixeira e John Dewey. Revista
     Brasileira de Educação. ANPED, n. 11, maio/jun. /ago. de 1999.
COSTA, M. A educação em tempos de conservadorismo. In: GENTILI, P. (Org.)
     Pedagogia da exclusão: crítica ao neoliberalismo em educação. Petrópolis:
     Vozes, 1995, p. 43-76.
COSTA, V.L.C. (Org.), MAIA, E.M. & MANDEL, L.M. Gestão educacional e
     descentralização: novos padrõesSão Paulo: Cortez, Fundação do
     desenvolvimento administrativo, 1997
DECLARAÇÃO mundial sobre educação para todos e plano de ação para
      satisfazer as necessidades  básicas de aprendizagem. Nova York: UNICEF,
      1990
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília:
     MEC, UNESCO, 1998.
DINIZ, E. Governabilidade, democracia e reforma do Estado: os desafios da
    construção de  uma nova  ordem no Brasil dos anos 90. In: ___________ &
    AZEVEDO, S. Reforma do Estado e democracia no Brasil: dilemas e
     perspectivas. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.
DOURADO, L.F. Escolha de dirigentes escolares no Brasil. Relatório final da
      pesquisa. Brasília: ANPAE, Série Estudos e Pesquisas, n. 4, 1998.
DRAIBE, S.M. A política social na América Latina: o que ensinam as experiências
     Recentes de reformas? In: DINIZ, E. & AZEVEDO, S. Reforma do Estado e
     democracia no Brasil: dilemas e perspectivas. Brasília: Editora Universidade
     de Brasília, 1997.
DURHAM, Eunice Ribeiro. A educação no governo de Fernando Henrique
     Cardoso. Tempo Social: revista de sociologia da USP. São Paulo, 11(2): 231-
     254, out.1999. (editado em fev.2000)
DURKHEIM, E. A educação como processo socializador: função
      hemogeneizadora e função diferenciadora. In: PEREIRA, L. & FORACCI, M.
     M. Educação e sociedade: leituras de sociologia da educação. 13 ed. São
     Paulo: Nacional, 1987.  P. 34 -48.
FÁVERO, O. A descentralização dos sistemas de educação básica: crise do
     planejamento central? In: OLIVEIRA, D.A  & DUARTE, M.R.T. (Orgs.)
     Política e  trabalho na escola: administração dos sistemas públicos de
     educação  básica.
______________Educação e sociologia. 11a. Ed. São Paulo: Melhoramentos,
    1978, P. 57 - 74
FLEURY, A C e VARGAS, N. Organização do trabalho: uma abordagem  
     interdisciplinar. São Paulo, Ed. Atlas, 1983.
FOGAÇA, A Modernização industrial: um desafio ao sistema educacional
      brasileiro. In: PINO, A et. al. A educação e os trabalhadores. São Paulo:
      Scritta:  DNTE/CUT, 1992 p. 13-43
__________& EINCHENBERG, L.C. Educação básica e competitividade. In:
      VELLOSO,  J.P.R. & ALBUQUERQUE, R.C. (Org.). Educação e
      modernidade. São Paulo:  Nobel, 1993, p. 83-136.
FRANCO, M. E. D. P. & WITTMANN, L.C. Situação e perspectiva da
      administração da educação no Brasil. Relatório final da pesquisa. Brasília:
      ANPAE, Série Estudos e Pesquisas, n. 1, 1998.
_________________&_________________. Experiências inovadoras/exitosas
      em   Administração da educação nas regiões brasileiras. Relatório final da
      pesquisa.   Brasília: ANPAE, Série Estudos e Pesquisas, n. 5, 1998.
GARCIA, W. planejamento e educação no Brasil: a busca de novos caminhos. In:
     KUENZER, A, CALAZANS, M.J.C. & GARCIA W. Planejamento e
     educação no   Brasil. São Paulo: Cortez Autores Associados, 1990.
GUDIÑO, Patrícia. O ENEN como retórica de persuasão. Revista de Educação
     AEC.  Nº 113/1999. P.61-75.
LINS, J.M.L. A educação como política pública. Campinas: Autores
     Associados, 1997.    (coleção Polêmicas do Nosso Tempo).
LÔBO, Y.L. Administração escolar: lições anisianas. Rio de Janeiro, 1999.
      (mimeo).
__________Política educacional e planejamento no Brasil: os descaminhos da
      transição. In: KUENZER, A, CALAZANS, M.J.C. & GARCIA W.
      Planejamento e   educação no Brasil. São Paulo: Cortez Autores
     Associados, 1990.
LOJKINE, J. O tabu da gestão: a cultura sindical entre contestação e
      proposição. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.
MINAS GERAIS. Lei n. 12.678 de 22 jan. 1998. Regulamenta o artigo 197 da
    Constituição do Estado, o qual dispõe sobre a descentralização do ensino, e dá
    outras providências. Minas Gerais, Belo Horizonte, 1998.
______________ Bases para a cooperação Estado-Município. Belo Horizonte,
    1997.
______________ Edital n. 001/93 de 8.set..1993. Estabelece critérios para
      escolha de candidatos ao provimento de cargo em comissão de diretor de
      escola  estadual de  Minas Gerais. Minas Gerais, Belo Horizonte, 9.set..1993.
      Parte I,  P.9.
______________ Instrução n. 03/95. Minas Gerais, Belo Horizonte,
     21.jan.1995. Parte I, p. 34.
______________ Resolução n. 6.907/92 de 23.jan..1992. Estabelece normas
     complementares para instituição e funcionamento do colegiado nas unidades
     estaduais de ensino.
 Minas Gerais, Belo Horizonte, 24.jan..1991.
______________ Resolução n. 7.120/93. Institui o programa de “Gerência da
     Qualidade Total” no sistema estadual de educação de Minas Gerais. Minas
     Gerais, Belo Horizonte, 26.fev..1993.
______________ Resolução n. 7.157/93. De 1/set. 1993. Estabelece critérios
     para escolha  de candidatos ao provimento de cargo em comissão de diretor de
     escola estadual de Minas Gerais. Minas Gerais, Belo Horizonte, 4.set..1993:
     Parte I, p. 28.
______________ Resolução n. 7.163/93. De 31/12/1993. Estabelece normas
     complementares para organização do quadro de pessoal das escolas estaduais
     e dá outras providências.  Minas Gerais, Belo Horizonte, 1993.
______________ Resolução n. 7.762/95 de 19/12/1995. Dispõe sobre a
     organização e o  funcionamento do ensino nas escolas estaduais e dá outras
     providências. Minas Gerais, Belo Horizonte, 20 dez. 1993. Parte I.
______________ Resolução n. 7.763/95. De 19/12/1995. Dispõe sobre a
     organização do quadro de pessoal nas escolas estaduais e dá outras
     providências. Minas Gerais, Belo Horizonte, 20 dez. 1993. Parte I.
______________Resolução n. 7.788/96 de 5/1/1996. Dispõe sobre adjunção e
     disposição de pessoal às prefeituras municipais, mediante adjunção ou
     disposição. Minas Gerais, Belo Horizonte, 6 jan./ 1996.
______________ Resolução n. 8.114/97 de 28/nov. /1997. Estabelece normas
     complementares para organização do quadro de pessoal das escolas estaduais
     e dá outras providências. Minas Gerais, Belo Horizonte, 1997.
______________ Resolução n. 8.115/97 de 28/nov. /1997. Dispõe sobre
     critérios
     de conveniência administrativa para composição de turmas e para a
     organização do quadro de pessoal das unidades estaduais de ensino. Minas
     Gerais, Belo Horizonte, 1997.
MIRANDA, G.V. Experiência de gestão na Secretaria Municipal de Belo
     Horizonte. In: OLIVEIRA, D. A & DUARTE M.R.T. Política e trabalho na
     escola: administração dos sistemas públicos de educação básica.Belo
    Horizonte: Autêntica, 1999.
MOTTA, F.C.P. Teoria geral da administração: uma introdução. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1987.
____________ e PEREIRA, L.C.B. Introdução à organização burocrática.
    São Paulo, Ed. Brasiliense, 7a ed. 1991.
NISKIER, A S. Administração escolar. Rio de Janeiro: Tabajara, 1969.Cap.. 2
     e 3.
OFFE, Klaus. Problemas estruturais do estado capitalista. Trad. Bárbara
      Freitag –  Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
OLIVEIRA, D. A - Educação e planejamento: a escola como núcleo da gestão.
     In:_______  (Org.). Gestão democrática da educação: desafios
    contemporâneos. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1997.
_______________. O papel do diretor no quadro de reestruturação do trabalho
     pedagógico. Revista do CAPE - O Diretor. Belo Horizonte: SMED-BH,
     1996.
_______________. O projeto de qualidade total na educação: autonomia dos
     trabalhadores.  Revista Dois Pontos - Teoria e Prática em Educação:
     Qualidade na Educação - Rompimentos - v II - n.15, Belo Horizonte:
     Outono/Inverno de 1993.
OLIVEIRA, C. A municipalização da educação no Brasil. In: OLIVEIRA, R.P. &
     ROSAR, M.F.F. A municipalização da educação no Brasil. Belo Horizonte:
     Editora  Autêntica,1999
ORGANIZAÇÃO DE ESTADOS IBERO-AMERICANOS PARA
      EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Informe: governabilidade
      democrática e dos sistemas educacionais. Trad. Áurea Maria Corsi. Cadernos
      de Pesquisa. São Paulo, n.100, 121-148, mar.1997. Número temático
      especial: Globalização e políticas        Educacionais na América Latina. 
OTTONE, E. Educação e conhecimento: eixo da transformação produtiva com
      Equidade (uma visão síntese). In. PAIVA, V. e WARDE, M. (org.)
      Transformação produtiva e  equidade: a questão do ensino básico.
      Campinas, Papirus, 1994. P.41-50.
PARO, V.H. Eleições de diretores na escola pública. RBAE, v. 10 n.2. Brasília: 
     ANPAE, jul../dez., 1994.
__________. A gestão da educação ante as exigências de qualidade e
     produtividade da escola  Pública. In: SILVA, L.H. (Org.) A escola cidadã no
     contexto da globalização. Petrópolis: Vozes, 1998.
PEREIRA, E.W. & TEIXEIRA, Z. A - A educação básica redimensionada. In:
     BRZEZINSKI,I LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. 2 ed..
     Revisada. São Paulo: Cortez, 1998, p. 87-110.
RIBEIRO, J.Q. Introdução ä administração escolar: alguns pontos de vista. In:
    TEIXEIRA, A S. et. al..  Administração Escolar. Edição comemorativa do I
    Simpósio Interamericano  de Administração Escolar. Salvador: ANPAE, 1968.
ROSAR, M.F.F. A dialética entre a concepção e a prática da gestão democrática
      no Âmbito da educação básica no Brasil. Revista Educação e Sociedade.
     Ano XX, n. 69. Campinas: CEDES/UNICAMP, dez.1999.
_____________. A municipalização como estratégia de descentralização e de
     desconstrução do sistema brasileiro. In: OLIVEIRA, D.A (ORG). Gestão
     democrática da educação: desafios contemporâneos. 2.ed.. Petrópolis:
    Vozes, 199, p. 105-140.
SALAMA, P. Pobrezas e desigualdades no terceiro mundo. São Paulo: Nobel,
     1997.
SANTA LUZIA. MG. Lei orgânica do município. Promulgada em 21.3.90.
SANTOS, O  . J. Pedagogia dos conflitos sociais. Campinas: Papirus, 1992.
SEE-MG. Relatório do Grupo de Trabalho para a realização de estudos e
    definições de princípios norteadores da Gestão Democrática da Escola na Rede
    Pública do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: abril de 1999.
SERGIOVANNI, T. J, & CARVER, F.D. O novo executivo escolar: uma
     teoria de administração. São Paulo: EPU, 1976.
SILVA JÚNIOR, C. A - A escola pública como local de trabalho. 2 ed., São
    Paulo: Cortez, 1993. Cap. 2.
SILVA, P.L.B. A natureza do conflito federativo no Brasil. In: DINIZ, E. &
    AZEVEDO, S. (Orgs.). Reforma do Estado e democracia no Brasil: dilemas
    e  perspectivas.Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.
SIND-UTE. Democratização da Gestão da Educação. Belo Horizonte, 1999.
SOBRINHO, José Dias. Avaliação e privatização do ensino superior. IN:
     TRINDADE, Hélgio. Universidade em ruínas na república dos professores.
     Petrópolis: Editora Vozes. Porto Alegre: CIPEP, 1999.
SOUSA, S.Z.L. Avaliação do rendimento escolar como instrumento gestão
     educacional. In: OLIVEIRA, D.A (Org.) Gestão democrática da educação:
     desafios contemporâneos. 2 ed.. Petrópolis: Vozes, 1997.
_____________. A que veio o ENEN? Revista de Educação AEC. 
     113/1999. P.53-60
TEIXEIRA, A S. - Natureza e função da Administração Escolar. In: __________
    et.al. Administração Escolar. Edição comemorativa do I Simpósio
    Interamericano de Administração Escolar. Salvador: ANPAE, 1968.
VALERIEN, J. Gestão da escola fundamental: subsídios para análise e
     sugestões  de aperfeiçoamento. 2. Ed. São Paulo: Cortez, Brasília: 
     UNIESCO, MEC, 1993.
XAVIER, A C.R. (ORG) Gestão educacional: experiências inovadoras.
      Brasília: IPEA, 1994. (Série IPEA, n. 147).
____________AMARAL SOBRINHO, J. & MARRA, F. (Org.) Gestão
      escolar:  desafios e  tendências. Brasília: IPEA, 1994. (Série IPEA, n. 145).
ZUNG, A K. A - A teoria da administração educacional: ciência e ideologia.
     Cadernos de pesquisa. São Paulo, (48): 39-46, fev. 1984.
      VER TAMBÉM:
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Professor facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.

CONTEÚDOS X FORMAÇÃO DE CONCEITOS: UMA MUDANÇA DE ATITUDE


Outubro/2003
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) em seu volume 1 Introdução,vão propor uma mudança de enfoque em relação a questão dos conteúdos curriculares. Este documento propõe que o conteúdo “seja visto como um meio para que os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos”. O que significa que os conteúdos não devem ser trabalhados como um fim em si mesmo, mas como meio. Para tanto são estabelecidas três categorias de conteúdos: Os conteúdos conceituais, os conteúdos procedimentais, e dos conteúdos atitudinais. O primeiro envolvendo fatos e princípios, o segundo envolvendo valores e normas, e o terceiro envolvendo atitudes. É a partir desse enfoque que desenvolvo este meu texto que tem como objetivo responder a questão: Como deixar e ser conteúdista? 
A escola trabalha com informações e dados e tem também como sua função trabalhar valores, normas e atitudes. As informações e os dados servem para desenvolvermos o nosso intelecto, dentro de um pensar científico. Os valores e as normas, vão se referir a questões morais. E as atitudes vão estar ligadas tanto à questão intelectual como moral, seria uma questão de sociabilidade.
Portanto precisamos pensar primeiramente: Como trabalhar as informações e os dados de forma a desenvolver o intelecto, dentro do pensamento científico? Já sabemos através de Vygotysky, Piaget, Emília Ferreiro e Teberosky que o conhecimento para ser conhecimento deve ser construído. E conhecemos a idéia de Papert que defende a produção do máximo de aprendizagem com o mínimo de ensino. As informações e os dados estão aí através dos livros, das enciclopédias, dos filmes, dos vídeos, dos jornais, das revistas, do rádio e da televisão, dos softwares, da Internet. Dessa forma: Como trabalhar os conteúdos conceituais? O próprio nome está dizendo, trabalhar a formação de conceitos. E o que seria trabalhar a formação de conceitos? Seria cada um de nós, após contato com diversas informações e dados sobre determinado assunto, criarmos o nosso conceito, de acordo com nossas vivências de mundo, sobre aquele determinado assunto. A construção do conceito é mais importante que o conteúdo. Daí a importância do aluno montar um projeto, ele mesmo, com a ajuda do professor, sobre um tema por ele escolhido. É importante trabalhar com assuntos de nosso interesse. Ele vai desta forma construir a sua metodologia de trabalho, vai levantar suas hipóteses, chegar às suas conclusões e formar os seus conceitos. O importante não é o tema, não é o assunto abordado, o importante é termos uma metodologia que nos permita formar conceitos e portanto mudar de atitudes. E é importante também estarmos sempre prontos a rever nossos conceitos, estarmos abertos para o fato de que nem os conceitos dos outros e nem os nossos são verdades incontestáveis no tempo e no espaço, muito pelo contrário. Neste aspecto cabe ao professor orientar o aluno na elaboração de seu projeto, indicar-lhe fontes de pesquisa para determinado assunto, auxiliar o aluno na seleção do material, e auxiliá-lo na elaboração do texto final e na exposição final do trabalho. Tudo tendo em vista que o importante é a formação de conceitos. Se o aluno escolheu o tema Petróleoele vai buscar várias fontes: informações e dados sobre o petróleo, e no final é ele que vai dizer o que é petróleo, para que serve, se é um bem ou um mal. Talvez esse mesmo aluno daqui a alguns anos vai achar uma solução feliz para o fim do petróleo. É preciso termos em mente que para formarmos conceitos precisamos conhecer o assunto em seus vários aspectos para depois podermos, após a construção de nosso conhecimento daquele assunto, chegar a um conceito que nada mais seria que a síntese do conhecimento que construímos, é a formulação de uma idéia, é a representação de um objeto pelo pensamento, através das informações de suas características gerais e de nossa vivência de mundo. Até aqui nos detivemos na análise dos conteúdos conceituais que não deixam de ser também atitudinais, pois através dos conceitos por mim construídos é que vou ser capaz de mudar minhas atitudes.
Os próximos conteúdos a serem analisados são os conteúdos procedimentais, que estão ligados à questões de valores e normas e que não deixam de ser também atitudinais, porque é através desses conteúdos também que somos capazes de mudar nossas atitudes. E a pergunta seguinte seria: Como trabalharmos os conteúdos procedimentais? E mais uma vez o próprio nome está nos dizendo: através de nossos procedimentos. Defendemos de fato a participação e a democracia? Então tenhamos uma estrutura de escola em que todos tenham a oportunidade de participar e escolher. Acreditamos mesmo na transparência? Que tudo seja transparente dentro da escola. E dentro dessa concepção, é claro que pode haver outra, as normas são decididas por todos. E o que precisa ficar claro nos conteúdos procedimentais é que existem outras formas de procedimentos que variam no tempo de no espaço. E que não são nem certas e nem erradas, são diferentes.
Deixar de ser conteudista, é portanto, deixar de dar conceitos prontos aos nossos alunos, achando que basta uma boa explicação usando o quadro, o mural, o retroprojetor, o slide, as novas tecnologias, fazendo uso desses recursos para desenvolver a atenção e a memória através da repetição. Dessa forma eu imponho um conceito ao meu aluno, sem espaço para reflexões e não fico perdendo tempo com “questionamentos desnecessários” e assim posso vencer os conteúdos propostos para o curso. E aqueles que prestaram a atenção às minhas palavras, que copiaram tudo do quadro, que fizeram todos os exercícios de fixação e que estudaram com certeza farão uma boa prova. Mas será que tudo isso não servirá somente para fazer uma boa prova, conseguir um bom conceito e passar de ano? Isso não é muito pouco?
Não podemos nos esquecer, e é o que os teóricos da educação, que arranjam jeito para tudo se esquecem: para isso é preciso mudar a estrutura da escola, e principalmente a estrutura de sala de aula. A única certeza é que precisamos mudar de atitude, mudar de postura. Temos uma tradição empirista e tecnicista, nela tivemos a nossa base escolar e foi nela que aconteceu a nossa formação profissional. Mudar de postura vai exigir de nós um grande esforço, precisamos nos vigiar a todo instante para não cairmos em vícios ainda que dentro de uma estrutura nova e com recursos novos ao nosso dispor.
Espero com este ensaio poder ser claro em meu conceito de conteudismo e poder eu mesmo dessa forma mudar de atitude e contribuir para que outros formem o seu conceito de conteudismo e possam também mudar de atitude.
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º grau e Magistério das Matérias Pedagógicas de 2º grau. Professor Facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO-MEC NTE-MG2

CONCEPÇÕES DE ESCOLA


Novembro/2004

Podemos dizer que há hoje duas concepções de Escola: a Escola da Sociedade Industrial e a Escola da Sociedade da Informação e da Comunicação. Em nossa escola o modelo que prevalece é o modelo da Escola da Sociedade Industrial, com vestígios muito pequenos da Escola da Sociedade da Informação e da Comunicação. No quadro abaixo daremos algumas características de cada uma delas. Um único aspecto pode mudar toda uma estrutura. Darei exemplo de dois projetos de grande porte voltados para o uso das novas tecnologias na educação: o PROINFO, programa de informática aplicado à educação promovido pelo MEC, e o programa Educação para o Futuro, promovido pela Intel em parceria com a Microsoft. Esses dois programas visam preparar o docente para o trabalho com as novas tecnologias da informação e da comunicação na educação.
Um único aspecto é capaz de diferenciá-los de forma significativa: No primeiro, o aluno escolhe o tema que deseja trabalhar, elabora o seu projeto e o executa, tendo o professor como orientador. No segundo, o professor elabora o projeto com um tema de seu conteúdo e o aluno o executa. Vemos claramente que no primeiro a ênfase é dada à formação de conceitos e no segundo a ênfase é dada no conteúdo. O primeiro rompe com a hierarquia professor-aluno, mantido no segundo. No primeiro estamos interessados em cidadãos autônomos, já no segundo não, a preocupação é com a formação de consumidores. 
CONCEPÇÕES DE ESCOLA
ESCOLA DA SOCIEDADE INDUSTRIAL
ESCOLA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
  • Excludente
  • Planejamento centralizado
  • Com defesa de uma ideologia
  • Não respeita a diversidade cultural
  • Exige de todos um mesmo ritmo
  • Discursa sobre cidadania
  • Dá ênfase ao conteúdo (conteudista)
  • Dá ênfase à competição
  • Professor ditador
  • Conhecimento adquirido não compartilhado
  • Tempo e espaço rígidos
  • Jogo fechado
  • Avaliação classificatória (medir – julgar – selecionar)
  • Dá ênfase à formação do consumidor
  • Seriação
  • Inclusiva
  • Planejamento descentralizado – o professor planeja e executa
  • Com respeito à diversidade ideológica
  • Com respeito à diversidade cultural
  • Respeita o ritmo de cada um
  • Vivencia a cidadania no dia a dia
  • Dá ênfase à formação de conceitos
  • Dá ênfase à colaboração e à cooperação
  • Professor orientador
  • Conhecimento construído e compartilhado
  • Tempo e espaço flexíveis
  • Jogo aberto - clareza e transparência
  • Avaliação progressiva (continuidade do processo de aprendizagem e desenvolvimento)
  • Dá ênfase à construção do cidadão
  • Ciclos

A comunidade escolar tem que se posicionar e escolher o tipo de escola que ela pretende, e não adianta ficar mesclando concepções de escola, pois como vimos no exemplo acima, um único fator pode ser determinante.
  
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Projeto Político-Pedagógico (PPP) (em construção) Resultado da Reunião de 1º de novembro. Escola Municipal Maria das Graças Teixeira Braga. Santa Luzia – MG, novembro/2003.
Educação para o Futuro. Professor participante (apostila). Intel/Microsoft. 2004.

Programa Nacional do PROINFO

Ciclos


Josué Geraldo Botura do Carmo[1]


A nova configuração do mundo – a globalização do conhecimento e o mercado de trabalho remete, nós educadores, para a necessidade de um aprendizado constante e a necessidade premente de desenvolver em nossos alunos habilidades cognitivas, tais como: interpretar, compreender, aplicar, analisar, sintetizar, identificar, representar, avaliar, criticar, relacionar, etc., ele tem que aprender a aprender sozinho, ter autonomia, saber buscar aquilo que quer saber, saber onde encontrar as informações que necessita e selecionar estas informações. O papel da escola é ajudar o aluno a desenvolver o raciocínio para ser capaz de resolver problemas do cotidiano e saber ler de forma crítica o mundo que o cerca. Sabemos agora que toda verdade varia no tempo e no espaço e que ainda assim é questionável. Nossos alunos têm que ter capacidade para encontrar as informações que necessitar, no momento que delas necessitar e discernimento para selecionar estas informações. Por isso a escola deve deixar de ser conteudista, deve focalizar sua preocupação na capacidade do aluno de saber buscar informações nos diversos meios hoje existentes no mundo. Se o aluno for preparado para ser capaz de pesquisar, o conteúdo não importa, ele saberá, sozinho, encontrar o que necessita, no momento que precisar. E uma vez aprendido a fazer o levantamento, satisfatoriamente, saberá em situações diferentes realizar a contento outros levantamentos de seu interesse.
A LDB atual prevê três tipos de ensino: presencial, a distância e aberto. O primeiro acontece em sala de aula e o aluno deve cumprir 75% da carga horária prevista no ciclo, o segundo através de apostilas, rádio, televisão e o terceiro é aberto, você pode estudar em casa e depois vai à escola e solicita uma prova para poder receber o seu certificado.    

CICLO DE FORMAÇÃO HUMANA

O trabalho em ciclos nos conduz ao processo de desenvolvimento do aluno, a uma progressão continuada. O aluno vai ter quatro ou oito anos para desenvolver determinadas habilidades, em seu ritmo e de acordo com seu interesse. Não há que ter pressas ou ansiedades. Temos que repensar e refazer os programas, enxugando-os. E deixar de centralizar importâncias em disciplinas ou conteúdos que muitas vezes são dados de forma inconscientes, sem mesmo sabermos a quem estamos servindo, e darmos atenção às múltiplas inteligências, tendo em conta sempre a diversidade e o respeito às diferenças, fortalecendo a auto estima do aluno e deixando de lado a avaliação como forma autoritária de conseguir disciplina ou a retenção como castigo. A reprovação não ensina nada a ninguém e o aluno retorna o ano seguinte da mesma forma e muitas vezes pior. Só serve mesmo aos interesses da classe dominante em manter a divisão de classes. O ciclo nos remete ao respeito ao ritmo de cada um. Ninguém precisa ser bom em tudo. E todos têm as suas capacidades e possibilidades de desenvolvê-las e têm direitos a oportunidades.
No trabalho em ciclos, toda a escola se empenha na educação do aluno. O trabalho é em grupo. E não é só ler, escrever e fazer conta, é muito mais, é formar o cidadão. O erro deixa de ser usado para diagnosticar a incapacidade do aluno, mas para poder observar quais as suas hipóteses e ajudá-lo a encontrar o acerto. No trabalho em ciclos, trabalhamos com princípios e não com regras, com argumentações e não com punições. Tudo tem que ser muito transparente: as atitudes da administração, dos professores e de todo o corpo de funcionários da escola. A escola tem no mínimo que ser honesta.
Tudo tem que ser revisto: desde o momento da matrícula do aluno na unidade de ensino, os rituais de entrada, os programas, as relações, os critérios de avaliação, etc. a escola tem que rever a sua estrutura. Não é pensar que só a sala de aula mudando resolve todos os problemas existentes. Toda a escola precisa mudar sua estrutura para que haja avanços.
No ciclo a proposta de trabalho é em grupos, tanto entre os profissionais da educação como entre os alunos. As turmas são heterogêneas, porque assim um pode ensinar o outro e todos podem aprender com todos. Todos têm que se unir para dar conta. Quanto menos regras houver menos tempo vamos gastar chamando a atenção de alunos. Os casos considerados como de maior cuidado devem ser olhados por mais profissionais, desta forma alguns alunos podem ser tirados de sala de aula para uma atividade extraclasse todos os dias durante uma hora ou o tempo necessário para que a turma descanse um pouco. E a escola tem o dever de esgotar todas as tentativas para recuperar o aluno e tudo deve ser anotado para que, em último caso, o aluno seja entregue ao conselho tutelar que passará a fazer o acompanhamento deste aluno, juntamente com seus familiares. 

FICHAS DESCRITIVAS 

As fichas descritivas podem ser de grande valia para o acompanhamento dos alunos e para auxiliar no resgate do mesmo e ela pode fazer também com que os pais passem a se interessar mais pela vida escolar dos filhos. E o conselho de classe é fundamental para que se possa elaborar essas fichas que devem ser construídas dentro das unidades de ensino pelos professores, de acordo com as necessidades de cada ciclo e de cada turma, as fichas têm que ser diferentes para cada realidade, e por todos aperfeiçoada no decorrer dos anos, dentro do campo cognitivo ou afetivo, de acordo com aquilo que a escola estabelecer como princípios. As fichas devem ser preenchidas com uma linguagem acessível aos pais dos alunos e aos próprios alunos. É preciso falar aos pais o que vai trabalhar com seus filhos para dar mais possibilidade dos pais ajudarem.

Texto elaborado a partir da palestra proferida

pela professora Silvia Garcia, no CAIC –

Santa Luzia, nos dias 5 e 6 de abril/99.
 
 
[1] Pedagogo com habilitação em Administração Escolar de 1º e 2º graus e Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º grau. Professor facilitador em Informática Aplicada à Educação pelo PROINFO – MEC.